Mostrando postagens com marcador Espiritualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espiritualidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de setembro de 2011

O sucesso visto por um cristão



            Se o cristão pode, sem escrúpulo, falar de sucesso, é porque ele atribui a esse termo dimensões que não se encontram, precisamente, no star system de Hollywood:
  • A confiança total no Pai
  • O impacto sobre os sofrimentos mais pungentes
  • A cruz
Jesus possuía sem dúvida dons excepcionais para curar doenças e multiplicar doenças e multiplicar pães. Isso não é o específico do “sucesso cristão” mas sim a confiança total do Cristo nAquele que ele chamava de “Pai”. Palavras incríveis pouco antes da ressurreição de Lazaro: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves” (João 11, 41-42). É realmente muito poderoso quem pode falar dessa maneira: a fonte da vida corre nele sem nenhum obstáculo.
Outra razão do sucesso: o Messias é aquele que toca diretamente a miséria do povo. Ele vai para onde se faz o mal, para onde está o mal. Ele desaloja os demônios de seu tempo, de modo concreto e radical. Ele põe de pé, faz ver, reintegra na comunidade e denuncia a opressão dos fariseus e dos sacerdotes.
O sucesso cristão, enfim, possui uma originalidade: ele abraça a cruz. O teste da estrela cristã está na maneira de abordar a cruz. Não existe sucesso cristão que não tenha passado pela cruz: cruz secreta da agonia interior e da dúvida, cruz das críticas e do fracasso, cruz do abandono pelos amigos, cruz da injustiça e da prisão.
Por que essa cruz é necessária? Porque ela realiza em nós a morte do ego e torna transparente aos olhos de todos a justiça e a força de Deus. Quando os espectadores daquela época viram o Cristo abatido e traspassado na cruz, compreenderam melhor do que quando viam os milagres de cura: “De fato! Esse homem era justo!”, disse o centurião após a morte de Jesus (Lucas 23, 47).
O publicitário Séguéla fez um bom diagnóstico ao afirmar que os políticos midiáticos cuidam de seus egos: “A política está doente pelo excesso de palavras, pelo excesso de falsidade. Com frases demasiadas e ênfase exagerada, ela ficou embriaga pelos continentes, mas perdeu seu conteúdo. Existir é simples, basta expressar sua alma, não ego”. Quando isso ocorre, não é a potência de Deus que fala, mas meu pequeno ego inflado. É por isso que os políticos buscam a sim mesmos, não o bem do público. Muitas vezes, por trás das belas frases, é a estrela que busca a si mesma, enfeitando-se com bons sentimentos. O sofrimento é necessário para nos apartar de uma estrela mundana. Cristo nunca procurou a própria glória. Existe um ponto no qual, como comunicador, meço minha distância com o Cristo: a busca de minha glória e de meu sucesso está colada na pele. Mas a cruz me é tão necessária quanto a luz. Não porque a cruz endurece ao fazer sofrer, mas porque ela mata o ego ao fazê-lo perder a sua cara. Esse homem Jesus, pendurado na cruz, perde seu belo rosto de superstar, sua atração junto às multidões: ele se obriga a abandonar-se àqueles mesmos que o matam. A cruz é a perda da imagem bela. Mistério difícil de ser proclamado! Temos de entender que a cruz não é para nós, comunicadores, um caminho opcional, uma disposição virtuosa qualquer, ela é uma necessidade de perseguição como uma necessidade do próprio ministério. Assim como quem corre uma maratona precisa exercitar-se o ano inteiro para a prova, do mesmo modo é necessário a quem evangeliza introduzir e experimentar a cruz em sua vida. Não para adquirir músculos, mas para esvaziar-se do ego. Mas do que nunca, nessa cultura do sucesso midiático, somos obrigados – para evangelizar – a nos alegrar com nossas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco é que sou forte” (2Coríntios 12,10).
Quando o ego cede seu lugar, transparece a potência de Deus: os cristãos conhecem esta fala. É preciso então procurar a fraqueza, a dificuldade, o revés? Não é preciso procurar aquilo que virá inelutavelmente. Penso que nossa comunicação deveria enraizar-se numa dupla atitude: o sucesso e a fuga, a imersão midiática e a solidão. Cristo na vida pública, apresenta este duplo aspecto: ele mergulha no sucesso da multiplicação dos pães e, à tardinha, retira-se para a montanha (João 6,1-5). Perigoso controlar a audiência e ser ovacionado pelo público: são alimentos artificiais que revigoram o ego. Também a solidão da presença de si mesmo e de Deus pertence ao nosso treinamento cotidiano. O específico do sucesso cristão não é o amor pela cruz como tal, nem o prazer de se humilhar e ser o último de todos, mas a convicção de que a cruz é intrínseca à vida plena e à manifestação de Deus. Sem a cruz, somos incapazes de conformar nosso ego e, sem ela, as pessoas não conseguem perceber aquilo que nos anima por dentro.
As Igrejas pobres ou em dificuldade fazem-nos recordar, melhor que outras a lei da cruz. A revista Ásia Focus cita as palavras de um jornal do Paquistão: “Diferentemente dos lugares onde a teologia é construída nas universidades ou nos seminários relativamente confortáveis [...] a Igreja da Ásia fala mais da cruz, da fraqueza e kénose de Jesus. Os cristãos acolhem com mais prazer uma Igreja que é humilde, paciente e impotente, mas que vive na esperança...”.

(BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

sábado, 24 de setembro de 2011

Continuar o Evangelho é continuar o impacto


          Um pouco mais de espiritualidade!

             Não identificamos Jesus com os profissionais de comunicação. Jesus não tem nada de jornalista: ele não narra o fato, ele o faz. Os evangelistas foram chamados de primeiros jornalistas, Paulo e Pedro apenas fizeram reverberar o golpe. O Evangelho é da ordem do fato, do golpe. Mas jornalistas e evangelistas têm isto em comum: visam antes de tudo o impacto, seja este um furo jornalístico ou um milagre, a quantidade de exemplares vendidos ou o número de fiéis. Por outro lado, Jesus – como os jornalistas – insere-se de imediato no tecido das infelicidades e das tramas. Ele prefere os doentes e pecadores aos bem apessoados, os trens que descarrilam aos que chegam no horário. A Boa Nova não é anúncio de um céu intemporal, é golpe desferido nas doenças e nos exploradores de então.
            Qual foi o segredo de Jesus? Esse homem testemunhou um amor e uma visão que vinham de outro lugar. Em sua fuga para o Templo de Jerusalém, aos doze anos, deu provas de caráter e discernimento fora do comum: fugir assim, e tão jovem, demonstra que o mal era já uma experiência que o fazia sofrer. Jesus conhecia o mal, fosse ele chamado de Satã, paralisia ou neurose, dominação dos ricos ou hipocrisia dos sacerdotes. Além disso, ligado a seu Pai, Jesus mostrou um incrível poder, não somente de sedução, mas de Solução. O segredo de seu impacto é idêntico ao dos grandes filmes: Jesus conheceu o mal de sua geração. Ele encarnou a grande luta cósmica entre Bem e o Mal. O Evangelho... é o Mal que “escoa”.
            É nosso dever, como pequenos profetas, não repetir uma boa nova intemporal, mas ouvir o grito de nossas populações, a começar pelas mais infelizes. E, ao mesmo tempo, fazer coincidir a infelicidade e a felicidade, a aflição e a Boa Nova. Saber como transmitir o Evangelho na televisão é secundário, falso até. A verdadeira questão é esta: como provocar impacto, como, falando a linguagem de meu povo, engajar-me no grande combate entre liberdade e escravidão, entre doença e vida, entre morte e Vida Plena? Eu diria: o sucesso, em termos cristãos é esse tipo de impacto. Vamos analisá-lo mais de perto, porque tocamos aqui numa das questões fundamentais que se põem todos os dias para cada comunicador cristão.

(BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sucesso x Evangelho

Que tal aproveitar o fim de semana para uma reflexão? Segue um bom texto sobre espiritualidade e comunicação. Partilhe com seu grupo de Pascom, com seus amigos!

Qual a relação entre star, sucesso e Evangelho?



Uma das categorias fundamentais que encontrei no universo midiático foi o sucesso. Sucesso ligado à audiência e, portanto, à publicidade e ao dinheiro. Os americanos, mais do que nós mergulhados nesta cultura, surpreenderam-me sempre quando perguntavam de chofre: “Você faz sucesso?” Proveniente de uma cultura literária onde prevalecem idéias justas e talvez humildes, eu quase me escandalizava. Uma outra categoria, equivalente à do sucesso, é a do star system. Basta lembrar o filme Jesus Cristo, Superstar!  Teria Jesus cultivado o sucesso? Podemos considerá-lo uma estrela? Como cristãos, devemos procurar o sucesso, entrar na corrida pela audiência, na busca do estrelismo? Dizia-me Pe Antônio Rego, realizador de programas religiosos na televisão portuguesa: “Quando eu fazia meus primeiros programas para a televisão, consagrava todo tempo à criação e à produção de uma boa mensagem. Hoje, na condição de diretor de programa na TV1, passo meu tempo no controle de audiência”. É este o bom caminho? Apesar de minhas reticências sobre o assunto devo reconhecer que existe uma certa conivência entre o Evangelho e as categorias midiáticas de star e do sucesso. Qual a relação entre sucesso e Evangelho? Encontro no dicionário a primeira resposta a esta pergunta. Depois de se referir à etimologia da palavra sucesso (successus, succedere, avançar sobre), o dicionário Robert dá uma primeira definição: “Aquilo que acontece de bom ou de mau após um ato, um fato inicial”. Embora o termo tenha sido utilizado posteriormente no sentido de êxito e bom resultado, eu o tomo aqui no seu sentido primeiro e fundamental: a essência do sucesso não é o êxito, mas o impacto. Realmente, como negar que Jesus fez sucesso? Sua pessoa e suas ações tiveram enormes resultados durante sua vida, e mais ainda depois de sua morte. A Bíblia, que contém o livro dos evangelhos, permanece como o maior sucesso mundial de livraria de todos os tempos. Posso acrescentar: o Evangelho está intrinsecamente ligado ao sucesso no sentido de impacto. No dia em que o impacto acabar, o Evangelho acaba.
            Podemos imaginar Jesus tomando o ônibus, indo à periferia das grandes cidades: Paris, Nova York, Tóquio, Londres, Calcutá, São Paulo. Jesus perdendo-se nessas “supercidades” de 20 a 50 milhões de habitantes que, a não ser em caso de catástrofe, se desenham em nosso futuro. Jesus empurrando um carrinho nos supermercado, Jesus nos arrabaldes, ricos ou imundos, proibidos ou protegidos pela polícia. Jesus no meio de desempregados e velhos, com jovens de penteados espetaculares. O que Jesus teria dito? Ele choraria sobre as nossas cidades como chorou sobre Jerusalém? Uma coisa pode ser considerada certa: ele faria sucesso, no sentido de impacto. Como no passado, ele despertaria o entusiasmo e o conflito. Por quê?

((BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

Compartilhe conosco a sua reflexão a partir desse texto! Deixe um comentário!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Depois de uma longa pausa...

Pois é... Aprendi com a raposa, amiga do Pequeno Príncipe, que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos (quem não conhece essa história vale a pena conferir). E é por você, amigo leitor desse blog que retomamos as nossas reflexões após um período de silêncio. Às vezes, uma pausa no que fazemos traz novas inspirações e desejos. Ajuda a avaliar a caminhada feita até aqui. Aproveitamos a oportunidade para propor uma reflexão sobre a importância da pausa.
É muito comum ouvir dos agentes de pastorais o seguinte: não tenho tempo!  Não temos tempo para rezar, para bater um papo, para planejar as nossas atividades. Vivemos numa época em que tudo acontece ao mesmo tempo e sempre temos a sensação de estarmos atrasados. Brigamos o tempo todo com o relógio!
A ausência de um planejamento pastoral e pessoal pode ser a raiz desse ma-estar que vivemos. Ter metas e objetivos claros e bem definidos contribui para que o andamento das nossas atividades seja mais tranquilo. Em breve vamos discutir sobre como deve ser o planejamento da Pastoral da Comunicação.
Voltando ao tema da pausa, lembro aqui dois textos bíblicos que podem nos ajudar nessa reflexão. O primeiro pertence ao relato da Criação presente no livro do Gênesis, 2, 1-4. Após criar e admirar a obra que realizou, Deus descansou no sétimo dia. É isso mesmo, Deus nos ensina que é preciso parar! O descanso aqui, é entendido como o nada-pra-fazer, é o tempo de reflexão, de repouso. Jesus também nos ensina que é preciso ter tempo para rezar. Nos Evangelhos encontramos várias passagens em que Jesus se retira para rezar, como em Mateus, 17, momento em que o Mestre revela a sua divindade aos seus discípulos.
Então, seu grupo de Pascom já tem um planejamento? E você já traçou as suas metas de vida? Que tal começar... Seria maravilhoso receber comentários de sua experiência sobre esse tema!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Adeus ao padre José Comblin



Neste domingo, dia 27, nos despedimos do padre José Comblin, homem que ajudou a Igreja a pensar e ser diferente. Ele dedicou praticamente toda sua vida ao povo e à Igreja da América Latina, no Brasil, no Chile e no Equador e em centenas de assessorias por todos os países. Ele veio para o Brasil em 1958, junto com o Pe. Michel Schooyans e o Pe. Laga, todos doutores por Lovaina, mas que foram dar aulas no seminário menor, para onde os mandou o Bispo Paulo de Tarso. Em abril de 2010, o padre Comblin esteve em Salvador e bateu um papo com a equipe do Jornal São Salvador. Relembre conosco esse momento!

DIÁLOGO – Padre José Comblin
O padre pastoralista José Comblin concedeu entrevista ao São Salvador sobre as reflexões da Conferência de Aparecida, que, após três anos de sua realização, ainda ecoa na vida da Igreja. O religioso, que foi assessor de Dom Hélder Câmara, é autor de vários livros e participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Nesta conversa ele falou também sobre a própria vivência de fé na Igreja. Confira!


Jornal São Salvador - Na sua opinião, qual foi o papel histórico da Conferência de Aparecida?
Padre José Comblin - O papel histórico está na afirmação de que a Igreja Latina Americana tem que passar de uma pastoral de conservação para uma Igreja de missão. Isso constitui uma mudança porque pastoral de missão em nível de Igreja já faz 16 séculos que não acontece. É uma grande novidade. É claro que, na consciência da Igreja, faz anos que isso está presente. Mas, em nível de hierarquia, em nível de uma conferência tão numerosa como é a Latino-Americana, é novidade.

JSS - Neste ano dedicado ao sacerdócio, estamos falando muito sobre missão. O senhor acha que a formação recebida pelos padres atende às exigências da missão?
Padre José Comblin - Não conheço todos os seminários, mas acredito que o programa formativo continua o mesmo. Assimilar aquilo que está em Aparecida vai demorar uma ou duas gerações. Porque a transformação pedida é tão grande e forte que isso está começando a ser pensado. Acho difícil que os mesmos professores e formadores que prepararam os sacerdotes para a conservação sejam os mesmos que formarão sacerdotes para a missão. Será o objeto da geração seguinte, daqui a vinte anos. Uma mudança profunda, adaptada ao que está escrito no Documento de Aparecida, acho que isso é humanamente impossível acontecer nesta geração. Pelo menos é possível lançar a ideia, divulgá-la, acostumar as mentalidades a reconhecê-la. Porque modifica de tal modo toda a concepção do ministério sacerdotal que de certo modo tudo deve mudar. Pelo visto, o que provocou a escolha do tema da Conferência de Aparecida é a constatação da fuga de tantos católicos. Isso é um fenômeno muito sensível no Brasil e no mundo. Daí então que uma pastoral de conservação terá como resultado a saída de mais e mais católicos, a cada ano. Trata-se primeiro de frear essa fuga e depois tomar iniciativas, ter uma presença muito mais forte na sociedade contemporânea.

JSS - Como o senhor traduziria esse espírito missionário proposto pela Conferência de Aparecida dentro deste contexto pós-moderno?
Padre José Comblin - O terreno da missão são todos aqueles que não frequentam a paróquia e que se dizem católicos oficialmente. Vamos ver no censo quantos ainda se declaram católicos, mas que, para muitos, isso não inclui o conhecimento verdadeiro do Evangelho, não inclui uma prática religiosa. É o resto de um ambiente social que vem do passado. Esse mundo é o terreno que faz prosperar as igrejas evangélicas. No mundo suburbano são essas igrejas que chegam primeiro. É muito simples, porque o nível de formação intelectual das grandes massas não é muito elevado. De tal modo que não se podem fazer discursos muito complicados, nem vir com uma liturgia complicada. Primeiro, os pastores pertencem a esse mundo popular e eles têm um jeito muito simples de falar. De fato, nesse mundo das grandes periferias, das grandes favelas do Rio e de São Paulo, a presença da Igreja é muito fraca. Isso produz a fuga de muitos que se declaravam católicos. Essas pessoas, ou aderiram a uma comunidade evangélica, ou ficaram desligadas de qualquer instituição. Os que se declaram católicos vão diminuindo. Isso foi, eu acho, o que motivou a reflexão de Aparecida.

JSS- O senhor acha que a Conferência de Aparecida foi uma abertura de caminhos para uma mudança na perspectiva teológica na Igreja? Como o senhor avalia o trabalho teológico na Igreja hoje?
Padre José Comblin - Do trabalho teológico não se falam, quer dizer, é o assunto que evitaram cuidadosamente para não entrarem em dissensões. Ainda está no subconsciente o sentimento de que na América Latina nasceu a Teologia da Libertação, que foi condenada pelo Vaticano. Existem opiniões. Então, numa assembleia episcopal tem de tudo. Tem aqueles que acham que não é uma coisa tão perigosa e têm outros que dizem: ‘sejamos prudentes, não toquemos nas questões teológicas, assunto tão controvertido’. Acho que assim explico por que houve um silêncio sobre essas questões teológicas.

JSS - Durante a sua história, o senhor sempre caminhou com o povo, ouvindo e conhecendo os seus anseios. Estamos num ano eleitoral. Em sua opinião, quais são os desafios sociais, políticos e econômicos para os brasileiros?
Padre José Comblin - Apesar dos progressos do governo Lula, há milhões e milhões de miseráveis que sobrevivem com muita dificuldade. Muitos não comem todos os dias, outros comem uma vez por dia. São muitos doentes que não são atendidos e nem sabem a quem recorrer. Isso é inaceitável num país relativamente rico e civilizado. Não faltam alimentos, não falta dinheiro e nem recursos. Mas, que se mantenha dez por cento da população numa condição de miserabilidade, isso é insuportável, é intolerável. As classes dirigentes não enxergam isso, para eles isso não tem a menor importância. Mas para a Igreja, isso é justamente o que deveria ter a maior importância. É o desafio básico fundamental como conduzir essa situação. E aqueles que são simplesmente pobres, que são também muito mais numerosos, como sobrevivem com salários tão baixos, mesmo comparando com outros que têm o desenvolvimento semelhante. Como não se reconhece o que diz a Doutrina Social da Igreja, que recomenda um salário que cubra as necessidades básicas do trabalhador? Já se calculou que para atender à demanda do trabalhador, é necessário que o salário seja pelo menos de R$ 2.000,00. Sem isso não é possível viver satisfatoriamente. Geralmente, essas pessoas vêm de um passado de miséria, e qualquer aumento traz alegria. Estamos muito longe de uma situação de justiça. As empresas sempre choram e dizem que não podem oferecer melhores salários.

JSS - Como o senhor analisa a presença da Igreja na sua vida?
Padre José Comblin - Eu nasci numa família católica, conheci todas as transformações que houve desde então. Conheci a Igreja tradicional ainda Tridentina, vivi minha infância nessa Igreja. Depois, no decorrer dos estudos, tive a sorte de ter alguns bons professores, que inclusive foram teólogos do Concilio Vaticano II, da Universidade de Lovaina. Isso abriu o horizonte para ver toda a diferença que há entre a tradição eclesiástica e o mundo contemporâneo, a distância e a falta de comunicação que há entre eles. Nesse período se buscava uma aproximação, criar pontes. Sou da geração dos padres operários. O clero nunca tinha ido numa fábrica, não tinha um contato permanente com os operários e com o mundo do trabalho. Também há uma aproximação com o mundo intelectual. É o momento que surgem os teólogos que formaram o Concílio, esses padres tinham sido condenados na juventude. Um dia o padre Congar, eclesiólogo do Concílio, tinha sido condenado e exilado da França e proibido de ensinar, precisou se refugiar na Inglaterra. Então, quando o Cardeal Martine Paris anunciou a sentença, disse: “Não se preocupe demais, padre, daqui a dez anos todos estarão pensando como você”. E, de fato, dez anos depois, era o Concílio Vaticano II, e todas as ideias que tinham sido rejeitadas foram aceitas. O resultado do Concílio não era novidade para mim, já tinha estudado as questões na teologia. Porém, foi a consagração de uma nova geração. Depois houve todo um otimismo logo depois do Concílio, que terminou no ano de 1968. 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Jesus Cristo, comunicação sem contradição

     Toda reflexão sobre comunicação inclui o tema da complementaridade ou contradição entre meio e mensagem. Para uns, como os famosa Escola de Frankfurt, o meio já é mensagem, existindo uma simbiose perfeita entre um e outro, que carrega seus valores e defeitos. Para muitos, no entanto, o meio tem valores intrínsecos, independente da mensagem e esta, por sua vez, utiliza-se daquele para ser transmitida. Os pensamentos variam mas um coisa é certa: meio e mensagem se complementam e se distinguem.
            Para o comunicador cristão que mergulha em Deus-Comunicação, existe um modelo perfeito que é Jesus Cristo, comunicador do Pai. E ele é base a vida e da ação de quem faz comunicação cristão, justamente, porque, n’Ele  não há contradição entre meio e mensagem.
            Jesus Cristo é “Palavra que se fez carne” (Jo 1, 14a). É mensagem que se fez meio, é teoria que se fez prática, é idéia que se fez atitude, é discurso que se fez ação de amor no meio do mundo.
            Na comunicação de Jesus não há contradição, não há limites entre céu e terra, entre história e eternidade. Tudo n’Ele é simbiose perfeita, é síntese. As rupturas comunicacionais existem tanto quanto mais existe distanciamento da Pessoa de Jesus Cristo. O comunicador que se aproxima dele, afasta-se da contradição.
            “E habitou entre nós” (Jô 1, 14b). Jesus não é comunicação distante, fria, acética. É comunicação próxima, encontro com a natureza humana, olho no olho da realidade de cada homem e mulher. É comunicação que não se fez e faz a  partir de um a priori , mas se realiza na verdade do outro, tendo como ponto de partida o olhar do outro. É comunicação misericordiosa.
            Misericórdia significa sentir com o sentimento alheio, estar próximo da miséria do coração do irmão. Jesus é esta proximidade de Deus. “Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus. Ele, existindo de forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. Humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de Cruz!” Para habitar entre nós ele esvaziou-se, empobreceu-se, despojou-se da sua condição divina.
Para comunicar segundo a proposta de Jesus Cristo é preciso descer das riquezas, das verdades, das certezas. É preciso tornar-se pobre para dialogar com os pobres, é preciso tornar-se outro para estabelecer conexão com os outros.
            Um projeto evangélico do fazer comunicação não pode prescindir  desse descer, desse esvaziar-se. Não pode ser comunicação “para”. Só pode ser comunicação “com”. Construída em mutirão, feita em comunidade, com linguagem popular e metodologia participativa. É comunicação arriscada, pois construtora de verdade a partir do coletivo, do nós, na contramão da comunicação do mundo que tem como ponto de partida uma um emissor soberano da verdade.
          Na contemplação do Verbo que se fez carne, empobrecendo-se para estar com as pessoas, só pode emergir uma comunicação inclusiva, harmoniosa e gregária.  Comunicação que constrói um todo a partir de cada um. O comunicador cristão aprende do Cristo ou, inevitavelmente, fará a comunicação de si mesmo e não do Evangelho.
* Padre Manoel de Oliveira Filho - Coordenador Arquidiocesano de PASCOM

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Deus - Comunicação na dinâmica libertadora

     De fato, toda pessoa que quer aprender, vai buscar o conhecimento numa fonte segura e profunda. O desejo faz buscar em profundidade. Todo comunicador aprende desde sempre que, para bem comunicar, precisa dar atenção ao público-alvo, segundo todas as teorias comunicacionais. É preciso ouvir o público, ir ao seu encontro, perceber suas demandas e suas necessidades. Sem esta premissa, não existe comunicação.
     No livro do Êxodo, capítulo 3, versículos 7-8a, Deus nos dá uma lição de comunicação. Muito antes que qualquer teoria da comunicação fosse elaborada Javé dizia a Moisés que viu a opressão (...), ouviu o grito(...) e conheceu o sofrimento do seu povo. Como conseqüência, desceu para libertá-lo.
     Ver, ouvir, conhecer e descer, ir ao encontro.
    Se estas regras são basilares para a comunicação em geral, o comunicador cristão tem a obrigação de vivê-las, pois não aprendeu nos bancos das universidades ou nos livros da biblioteca. Aprendeu do próprio Deus que não ficou circunscrito a sua divindade, numa eternidade feliz e egoísta, mas se fez e faz encontro com o seu povo.
    O comunicador cristão, mergulhado na experiência do Deus-Libertador, na contemplação profunda desse mistério de amor que não se cansa de amar, deve ser alguém que enxerga o seu irmão, as realidades todas da vida outro e das comunidades. É pessoa aberta para o mundo, com antenas ligadas em tudo que acontece. Ele vê as dores e angústias da história, percebendo os sinais dos tempos, aprendendo dos fatos e dialogando com eles. É pessoa de ouvidos atentos, capazes de ouvir o grito, pedido de socorro, e o sorriso, partilha da alegria. É comunicador que sabe, não apenas, falar mas, também, e muito, ouvir. Ouvir o dito e o não dito.
    Ouvir o não-dito significa dar atenção ao silêncio do outro, perceber a sua ausência como grito de socorro, como chamada de atenção que precisa ser atendida e não cobrada. O ouvir está na dinâmica do acolher, do permitir que o outro seja ele mesmo diante do comunicador. O ouvir está na perspectiva do amor que liberta, porque permite que outro se expresse na grandeza e contradição da sua existência.
     O comunicador cristão conhece o outro, porque contempla o Deus-Libertador que conhece o seu povo.
   A idéia que temos sobre o conhecer, com bases exclusivas na razão, vem da mentalidade iluminista-racionalista. Para nós, filhos e filhas da modernidade, conhecer diz respeito a “saber sobre alguém ou algo”. A perspectiva bíblica do conhecer extrapola essa dimensão. Conhecer, portanto, significa fazer a experiência. É tão profundo e íntimo que Maria, ao saber que seria a mãe do Salvador, respondeu ao ajo que não conhecia homem algum (cf Lc 1,34). Conhecer tem, assim, até uma conotação de ato sexual. Uma palavra apenas e um significado tão largo que tange várias dimensões da existência.
     O comunicador que deseja imitar o Mestre deve conhecer o outro, fazer experiência com ele, vivenciar as sua dores e alegrias, angústias e incertezas, vitórias e derrotas. Não pode ser um sub-burocrata da comunicação, nos gabinetes das suas verdades e certezas. O conhecer ensinado por nosso Deus-Libertador deve levar a um partir, a um “estar com”, fazer morada na vida do outro. Sentir com o outro.
     Deve, portanto, descer.
   Quem vê, ouvi e conhece inevitavelmente, desce. Não pode, não consegue deixar que outro continue sozinho pelas estradas da vida. Quer fazer-se companheiro, comedor do mesmo pão,  cúmplice da mesa história, construtor de comunhão. Ver, ouvir, conhecer e descer. Eis o que nos ensina e para onde nos mobiliza a experiência com Deus-Libertador.

* Padre Manoel Filho - Coordenador Arquidiocesano da Pascom

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Deus-Comunicação na criação

O relato da criação que o livro do Gênesis nos trás é carregado de beleza literária e profundidade teológica. Deus Pai, na sua infinita bondade, derrama-se sobre a história criando o universo e todas as criaturas, inclusive, obra-prima da criação, a pessoa humana.

Não vamos nos deter no aparato teológico que o texto nos trás, fazendo uma livre interpretação espiritual da mensagem que ele carrega e do ensinamento que oferece aos comunicadores cristãos.

A grandeza comunicacional do texto já aparece no derramar-se de Deus. Sabemos que a Trindade é a mais perfeita comunidade, onde os três divinos membros têm a sua identidade preservada e mesmo assim vivem numa comunhão tão profunda de amor que formam um só Deus. Cremos e proclamamos que a Trindade é um só Deus em três pessoas. Como deve ser maravilhosa a experiência de comunicação na Comunidade Trinitária. Todo respeito e todo diálogo, toda abertura e toda acolhida. Tudo que existe e pode ser pensado humanamente no que tange à comunicação é infinitamente extrapolado pela experiência trinitária.

E ali podiam ficar o Pai, o Filho e o Espírito Santo em comunhão perfeita e comunicação plena. Eternamente, absolutamente distante da história. E tudo estaria bem.

Não é isso que vivenciamos. O que existe é um Deus que se derrama. A criação é comunicação de Deus para a humanidade, construção de amor, criatividade infinita que não se cansa de criar e recriar todos os dias, em todos os tempo.

“ Faça-se... e a luz se fez”

“ Faça-se... E Deus fez o firmamento.”

“ Faça-se...E assim se fez.”

“ Façamos... Homem e mulher ele os criou.”

(Cf. Gn 1, 1-27)

A palavra-comunicação de Deus é criadora. Deus fala e acontece o novo. O eternamente novo.

Contemplando o mistério amoroso de Deus criador, o comunicador cristão tem muito o que aprender no seu processo de amadurecimento comunicacional. Só existe comunicação cristã quando a palavra é geradora do novo, é palavra criadora.

Não vamos confundir palavra criadora com criatividade. Embora esta seja importante, não é determinante e pode ser perigosa. Podemos vincular criatividade com “novidadismo”. Uma certa ansiedade por novidades vem levando o homem contemporâneo a se distanciar do Projeto de Jesus Cristo e quem lida com comunicação na Igreja pode correr o risco que se emaranhar na roda vida do mercado, criando e aceitando modas e modismos em nome da criatividade.

Não é esta a reflexão pertinente diante do Deus criador. A palavra-comunicação criadora é aquela que toca o coração de quem acolhe e faz, ali, o novo acontecer. Faz despertar as profundidades do ser para perceber o novo que é o próprio Deus, sempre eterno e sempre renovado.

Um exercício maduro de contemplação do mistério de Deus criador faz do comunicador cristão uma pessoa capaz de olhar o outro, enxergando nele a potencia de bem e belo que ele carrega, vendo as dimensões profundas daquela existência, percebendo, para além da aparência, a essência de vida e vigor ali existente.

A palavra criadora que brota da comunicação cristã faz o novo acontecer nas pessoas e no mundo.

É palavra não dita, é olhar que brilha, que sorriso que ilumina.

Vejamos Maria. Grávida da Palavra feito carne, foi visitar Isabel. Estava plena de Deus e no encontro com Isabel fez com que a criança que a prima carregava no ventre pulasse de alegria. (Cf. Lc 1, 39-46)

O comunicador cristão, carregado de Deus, possibilita que a beleza que o outro traz seja potencializada em cada encontro. A vida que o outro carrega, muitas vezes reprimida pelo peso da sua história, pelas dores cotidianas, pelo rigor do trabalho, se renova e salta em pulo de esperança renovada.

Comunicar, portanto, na dinâmica desta contemplação, é fazer o novo acontecer.

Quando contemplamos a grandeza de Deus na obra da criação, como comunicadores cristãos devemos assumir a dimensão de colaboradores nesta obra, neste oitavo dia da criação. A comunicação cristã é continuação da comunicação/criação de Deus.

Quando assumimos esta responsabilidade, aprofundamos o ser comunicação e, consequentemente, aprimoramos o nosso fazer comunicacional com uma qualidade que distingue a nossa ação de todas as outras.

Portanto, uma espiritualidade da comunicação tem o seu início na contemplação do Deus-Criador.

* Padre Manoel Filho - Coordenador Arquidiocesano da Pastoral da Comunicação

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Espiritualidade da Comunicação


A pergunta primeira, ao escrever sobre a espiritualidade da comunicação, é porque? Por que uma reflexão sobre a comunicação numa perspectiva mística e espiritual?
Nestes quase dez anos de Pastoral da Comunicação, mas mesmo anteriormente, quando comecei a me apaixonar pela comunicação na Igreja, pensei que o fazer comunicação só teria um sentido evangélico se nascesse de um ser comunicação, não meramente instrumental e pragmático, portanto.
E este é um perigo grande ao trabalhar com algo tão exigente, tão instantâneo, que demanda tanta atenção e esforço físico e mental. Quem trabalha com ela já sabe: comunicação é trabalho braçal. Longe da idéia de glamour e sofisticação que transparece do mito midiático, o que existe é suor, fruto do esforço. E não é diferente com a comunicação na Igreja. A cada dia um novo programa na rádio e TV, a cada semana ou mês um novo jornal ou revista, a cada instante uma nova postagem no site. E, quando concluímos uma etapa, tudo começa de novo e do zero. É o trabalho da cozinheira que, a cada manhã, trabalha tanto para ver o fruto do seu esforço consumido em minutos e, tantas vezes, criticado.
Instrumentalizar a comunicação é, de fato, um perigo gigantesco. Esta atitude levaria, inevitavelmente, a um fazer sem sentido, uma luta sem vitória, um esgotamento atrás do sucesso que, tantas e tantas vezes, não chega. Na lógica do mundo, todos os argumentos e atributos podem ser usados para alcançar este sucesso desejado. E alguma coisa sempre se consegue. Na dinâmica do Evangelho, não.
O Evangelho nos impõe uma postura que pode nos distanciar do sucesso, nos afastar da vitória fácil e preterir as nossas aspirações humanas de facilidade e portas largas. Mas, para compreender o Evangelho e entrar numa dinâmica da essência e não da aparência, do conteúdo e não da forma é preciso uma atitude que envolva o ser e, consequentemente, toque as profundezas da vida, determinando as escolhas e os horizontes.
Assim, o primeiro argumento para um espiritualidade da comunicação que não compreenda este serviço apenas como instrumento é o ser.
Ser comunicação deve ser a base do fazer. O cristianismo tem as suas bases no ser que gera o fazer. Lembro bem do, então, Padre Giancarlo Petrini, Reitor do Seminário Propedêutico Santa Teresa do Menino Jesus, onde fiz meu primeiro ano de formação, falando sobre a vocação sacerdotal que não podia ser alicerçada no fazer e, sim, no ser. Ele falava daquele padre recém ordenado que, voltando para a sua cidade natal depois da festa, sofre um acidente de carro e fica tetraplégico. Nunca mais fez nada. Mas nunca deixou de ser padre.
O ser tem raízes profundas, toca a existência, define a identidade, marca a totalidade da vida. O ser não muda ao sabor dos ventos e dos humores. O ser não cansa com o passar dos anos, não esmaece com a quantidade de horas de trabalho.
Quem faz, em algum momento pode deixar de fazer. Quem é, nunca deixa de ser. É verdade que a natureza humana, circunscrita pela fragilidade do pecado, tem o seu ser relativizado, passível de mudanças constantes e variações de interesses. No entanto, quanto mais a raiz do ser estiver fincada na profundidade da terra, mais ele se tornará imune aos ventos das mudanças.
*Padre Manoel de Oliveira Filho - Coordenador Arquidiocesano da PASCOM

terça-feira, 30 de março de 2010

Nas ondas do rádio


Com o programa Na Força da Oração, a Pascom da paróquia de São Gonçalo, em São Francisco do Conde, colabora com a evagelização através das ondas do rádio. O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 17horas e 30 minutos, pela rádio comunitária local. É possível acompanhar o progama pela internet. Basta acessar o site: