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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Entrevista com o professor Luciano Santos

Para o professor Luciano Santos a religião existe para responder as profundas inquietações do ser humano
Neste mês de outubro, o Jornal São Salvador publicou uma matéria sobre os dados que a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas publicou no último mês de agosto, sobre as religiões no Brasil. Tivemos a oportunidade de conversar com professor de filosofia Luciano Santos e com o bispo auxiliar de Salvador, Dom Gregório Paixão, osb. Como o espaço do jornal é limitado, vamos publicar na íntegra o resultado dessas conversas. Acompanhe!
1) De acordo com os dados da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, intitulada “Novo Mapa das Religiões”, no Brasil 89% de sua população acredita que a religião é importante. Por outro lado, temos uma grande transição de pessoas entre as religiões e um número significativo dos que se declaram sem religião. Como interpretar essa realidade? Qual é o papel da religião na vida humana atualmente?
Creio que a importância atribuída à religião por uma parcela tão expressiva da população brasileira se deve, em primeiro lugar, a um dado histórico básico: a forte presença do elemento religioso nas matrizes culturais ameríndia, ibérica e africana que atuaram na formação do povo brasileiro. A religiosidade está, por assim dizer, em nosso “DNA” cultural; atua em nossos extratos anímicos mais profundos e é uma das mais poderosas fontes simbólicas de nosso imaginário. Acrescente-se a isto o fato de o Brasil ainda ser uma nação predominantemente agrária (tendência em franca reversão) e de haver entrado somente há pouco mais de um século na modernidade técnica-científica-urbana-industrial, com sua mentalidade republicana e secularista, que afirma a auto-suficiência da razão e advoga a supremacia dos valores laicos sobre os religiosos. 
No entanto, se a secularização ainda não se mostrou suficiente para arrancar as fundas raízes de nossa histórica religiosidade, ela já exerce uma influência poderosa em amplas camadas da sociedade, sobretudo nas classes mais abastadas dos grandes centros urbanos, o que parece explicar o número crescente dos que se declaram sem religião. Por vezes, para pessoas de certo poder aquisitivo, bem instruídas e de alta competência profissional, esclarecidas, críticas, que viajam pelo mundo e manejam os mais sofisticados aparatos tecnológicos, pode soar “primitivo” aderir a artigos de fé sem manifesto respaldo científico, provindos das profundezas de um Passado que já parece definitivamente ultrapassado.  Quanto à alta mobilidade entre as religiões registrada na pesquisa, um importante fator é a gradual e intensa perda de hegemonia social da Igreja Católica desde o século passado, que corresponde a um mais amplo processo de “descristianização” já em curso nos países desenvolvidos do Ocidente.  
Com esse refluxo da Cristandade tradicional, abre-se um significativo espaço no campo das crenças, ocupado nos anos 1980 pelo espiritismo e pelas manifestações do esoterismo New Age, especialmente entre jovens e adultos de classe média, e, também e cada vez mais, pelas igrejas neo-pentecostais, de crescimento avassalador nas camadas populares. Essa intensa migração entre as religiões é ainda favorecida por algumas características culturais da sociedade contemporânea (por alguns chamada de “pós-moderna”), a exemplo da “atomização social” e do individualismo, que hipertrofia o sujeito e o erige em centro da existência; e do consumismo, que reduz as coisas a objetos de satisfação desse sujeito isolado em si mesmo. 
Nesse contexto, nasce uma religiosidade self service e fast food, híbrida, mutante e “fluida”, feita “ao gosto” do indivíduo e de seus interesses momentâneos, e incapaz de mobilizar adesões profundas e compromissos a longo prazo. Por outro lado, como a religião existe para responder a uma incontida exigência de sentido do coração humano, a busca por formas autênticas de espiritualidade tende paradoxalmente a intensificar-se, hoje em dia, na mesma medida em que se desmascaram as formas descartáveis de religiosidade e as ilusões do consumismo, que confunde felicidade com bem-estar individual.  
Luciano Costa Santos é Professor Adjunto de Filosofia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Professor Convidado da Pós-Graduação em Filosofia Contemporânea da Faculdade São Bento da Bahia (FSBB). Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio no Institut Catholique da Paris. É autor de “O Sujeito Encarnado – a Sensibilidade como Paradigma Ético em Emmanuel Levinas” (Ed. UNIJUÍ), entre outras obras. Email: lucostasantos1@gmail.com

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cursos na Pascom


A Pastoral da Comunicação realiza mais uma edição dos Cursos Rápidos de Iniciação a Comunicação (CRIAC). Confira os cursos:
·        Oficina de Fotografia – Será realizada no dia 8 de outubro e ministrada por Mariana Miranda, fotógrafa e jornalista, das 8h às 12h30. É importante que os participantes tragam sua máquina fotográfica. A inscrição custa R$ 40,00.
·        Português aplicado à Pastoral – O curso tem início a partir do dia 18, com carga horária de 40 horas. As aulas ministradas pela professora Letícia Portela, mestra em Língua Portuguesa, acontecem às quartas e sextas-feiras, em dois horários: das 9h às 10h30 e das 13h às 14h30. A mensalidade do curso custa R$ 60,00.
·        Oficina de Voz – Na oficina que tem início no dia 11 de outubro, os interessados aprenderão exercícios para o cuidado com a voz. As aulas serão realizadas pela fonoaudióloga Emile Rocha, sempre às terças-feiras, das 9h às 10h, até o dia 22 de novembro. A taxa de inscrição custa R$ 40,00.
Os cursos acontecem na sede da Pascom (Avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia) e as inscrições para podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam a metade do valor da inscrição. Outras informações pelo telefone 4009-6604.

domingo, 25 de setembro de 2011

O sucesso visto por um cristão



            Se o cristão pode, sem escrúpulo, falar de sucesso, é porque ele atribui a esse termo dimensões que não se encontram, precisamente, no star system de Hollywood:
  • A confiança total no Pai
  • O impacto sobre os sofrimentos mais pungentes
  • A cruz
Jesus possuía sem dúvida dons excepcionais para curar doenças e multiplicar doenças e multiplicar pães. Isso não é o específico do “sucesso cristão” mas sim a confiança total do Cristo nAquele que ele chamava de “Pai”. Palavras incríveis pouco antes da ressurreição de Lazaro: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves” (João 11, 41-42). É realmente muito poderoso quem pode falar dessa maneira: a fonte da vida corre nele sem nenhum obstáculo.
Outra razão do sucesso: o Messias é aquele que toca diretamente a miséria do povo. Ele vai para onde se faz o mal, para onde está o mal. Ele desaloja os demônios de seu tempo, de modo concreto e radical. Ele põe de pé, faz ver, reintegra na comunidade e denuncia a opressão dos fariseus e dos sacerdotes.
O sucesso cristão, enfim, possui uma originalidade: ele abraça a cruz. O teste da estrela cristã está na maneira de abordar a cruz. Não existe sucesso cristão que não tenha passado pela cruz: cruz secreta da agonia interior e da dúvida, cruz das críticas e do fracasso, cruz do abandono pelos amigos, cruz da injustiça e da prisão.
Por que essa cruz é necessária? Porque ela realiza em nós a morte do ego e torna transparente aos olhos de todos a justiça e a força de Deus. Quando os espectadores daquela época viram o Cristo abatido e traspassado na cruz, compreenderam melhor do que quando viam os milagres de cura: “De fato! Esse homem era justo!”, disse o centurião após a morte de Jesus (Lucas 23, 47).
O publicitário Séguéla fez um bom diagnóstico ao afirmar que os políticos midiáticos cuidam de seus egos: “A política está doente pelo excesso de palavras, pelo excesso de falsidade. Com frases demasiadas e ênfase exagerada, ela ficou embriaga pelos continentes, mas perdeu seu conteúdo. Existir é simples, basta expressar sua alma, não ego”. Quando isso ocorre, não é a potência de Deus que fala, mas meu pequeno ego inflado. É por isso que os políticos buscam a sim mesmos, não o bem do público. Muitas vezes, por trás das belas frases, é a estrela que busca a si mesma, enfeitando-se com bons sentimentos. O sofrimento é necessário para nos apartar de uma estrela mundana. Cristo nunca procurou a própria glória. Existe um ponto no qual, como comunicador, meço minha distância com o Cristo: a busca de minha glória e de meu sucesso está colada na pele. Mas a cruz me é tão necessária quanto a luz. Não porque a cruz endurece ao fazer sofrer, mas porque ela mata o ego ao fazê-lo perder a sua cara. Esse homem Jesus, pendurado na cruz, perde seu belo rosto de superstar, sua atração junto às multidões: ele se obriga a abandonar-se àqueles mesmos que o matam. A cruz é a perda da imagem bela. Mistério difícil de ser proclamado! Temos de entender que a cruz não é para nós, comunicadores, um caminho opcional, uma disposição virtuosa qualquer, ela é uma necessidade de perseguição como uma necessidade do próprio ministério. Assim como quem corre uma maratona precisa exercitar-se o ano inteiro para a prova, do mesmo modo é necessário a quem evangeliza introduzir e experimentar a cruz em sua vida. Não para adquirir músculos, mas para esvaziar-se do ego. Mas do que nunca, nessa cultura do sucesso midiático, somos obrigados – para evangelizar – a nos alegrar com nossas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco é que sou forte” (2Coríntios 12,10).
Quando o ego cede seu lugar, transparece a potência de Deus: os cristãos conhecem esta fala. É preciso então procurar a fraqueza, a dificuldade, o revés? Não é preciso procurar aquilo que virá inelutavelmente. Penso que nossa comunicação deveria enraizar-se numa dupla atitude: o sucesso e a fuga, a imersão midiática e a solidão. Cristo na vida pública, apresenta este duplo aspecto: ele mergulha no sucesso da multiplicação dos pães e, à tardinha, retira-se para a montanha (João 6,1-5). Perigoso controlar a audiência e ser ovacionado pelo público: são alimentos artificiais que revigoram o ego. Também a solidão da presença de si mesmo e de Deus pertence ao nosso treinamento cotidiano. O específico do sucesso cristão não é o amor pela cruz como tal, nem o prazer de se humilhar e ser o último de todos, mas a convicção de que a cruz é intrínseca à vida plena e à manifestação de Deus. Sem a cruz, somos incapazes de conformar nosso ego e, sem ela, as pessoas não conseguem perceber aquilo que nos anima por dentro.
As Igrejas pobres ou em dificuldade fazem-nos recordar, melhor que outras a lei da cruz. A revista Ásia Focus cita as palavras de um jornal do Paquistão: “Diferentemente dos lugares onde a teologia é construída nas universidades ou nos seminários relativamente confortáveis [...] a Igreja da Ásia fala mais da cruz, da fraqueza e kénose de Jesus. Os cristãos acolhem com mais prazer uma Igreja que é humilde, paciente e impotente, mas que vive na esperança...”.

(BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sucesso x Evangelho

Que tal aproveitar o fim de semana para uma reflexão? Segue um bom texto sobre espiritualidade e comunicação. Partilhe com seu grupo de Pascom, com seus amigos!

Qual a relação entre star, sucesso e Evangelho?



Uma das categorias fundamentais que encontrei no universo midiático foi o sucesso. Sucesso ligado à audiência e, portanto, à publicidade e ao dinheiro. Os americanos, mais do que nós mergulhados nesta cultura, surpreenderam-me sempre quando perguntavam de chofre: “Você faz sucesso?” Proveniente de uma cultura literária onde prevalecem idéias justas e talvez humildes, eu quase me escandalizava. Uma outra categoria, equivalente à do sucesso, é a do star system. Basta lembrar o filme Jesus Cristo, Superstar!  Teria Jesus cultivado o sucesso? Podemos considerá-lo uma estrela? Como cristãos, devemos procurar o sucesso, entrar na corrida pela audiência, na busca do estrelismo? Dizia-me Pe Antônio Rego, realizador de programas religiosos na televisão portuguesa: “Quando eu fazia meus primeiros programas para a televisão, consagrava todo tempo à criação e à produção de uma boa mensagem. Hoje, na condição de diretor de programa na TV1, passo meu tempo no controle de audiência”. É este o bom caminho? Apesar de minhas reticências sobre o assunto devo reconhecer que existe uma certa conivência entre o Evangelho e as categorias midiáticas de star e do sucesso. Qual a relação entre sucesso e Evangelho? Encontro no dicionário a primeira resposta a esta pergunta. Depois de se referir à etimologia da palavra sucesso (successus, succedere, avançar sobre), o dicionário Robert dá uma primeira definição: “Aquilo que acontece de bom ou de mau após um ato, um fato inicial”. Embora o termo tenha sido utilizado posteriormente no sentido de êxito e bom resultado, eu o tomo aqui no seu sentido primeiro e fundamental: a essência do sucesso não é o êxito, mas o impacto. Realmente, como negar que Jesus fez sucesso? Sua pessoa e suas ações tiveram enormes resultados durante sua vida, e mais ainda depois de sua morte. A Bíblia, que contém o livro dos evangelhos, permanece como o maior sucesso mundial de livraria de todos os tempos. Posso acrescentar: o Evangelho está intrinsecamente ligado ao sucesso no sentido de impacto. No dia em que o impacto acabar, o Evangelho acaba.
            Podemos imaginar Jesus tomando o ônibus, indo à periferia das grandes cidades: Paris, Nova York, Tóquio, Londres, Calcutá, São Paulo. Jesus perdendo-se nessas “supercidades” de 20 a 50 milhões de habitantes que, a não ser em caso de catástrofe, se desenham em nosso futuro. Jesus empurrando um carrinho nos supermercado, Jesus nos arrabaldes, ricos ou imundos, proibidos ou protegidos pela polícia. Jesus no meio de desempregados e velhos, com jovens de penteados espetaculares. O que Jesus teria dito? Ele choraria sobre as nossas cidades como chorou sobre Jerusalém? Uma coisa pode ser considerada certa: ele faria sucesso, no sentido de impacto. Como no passado, ele despertaria o entusiasmo e o conflito. Por quê?

((BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

Compartilhe conosco a sua reflexão a partir desse texto! Deixe um comentário!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diretrizes da Pascom da Arquidiocese de Salvador

Para alcançar um objetivo traçamos metas, planejamos ações... No trabalho da Pascom na Arquidiocese de Salvador buscamos compreender a nossa missão e definimos algumas diretrizes que norteiam o nosso caminho. Essas diretrizes nasceram de um trabalho feito pela equipe Arquidiocesana de Pascom e foi compartilhada com os agentes de Pascom paroquial. Agora compartilhamos com você a síntese desse trabalho!


A Pastoral da Comunicação é:
  •  Um grupo de pessoas que respondendo ao chamado de Jesus Cristo se reúne para ser comunicação com oração e ação.
  • Um grupo de pessoas que dialoga com a realidade, comunicando o Evangelho, em vista de transformá-la.
  • Uma comunidade atenta a tudo o que acontece na Igreja para comunicar o que ela realmente é e faz.
  • Uma construção em mutirão.
  • Um grupo protagônico, proativo e espiritualizado.
  • Uma comunidade que faz parte de uma rede de comunidades dentro da paróquia, na relação da paróquia com a diocese e com toda sociedade.
  • Um grupo que cuida da qualidade dos relacionamentos interpessoais e intergrupais.
  • Um grupo que cuida da comunicação da Igreja com a sociedade através dos meios de comunicação sociais.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conhecendo a Profissão



Com o objetivo de divulgar e esclarecer assuntos relacionados às profissões ligadas à área de Comunicação, a exemplo de Publicidade, Jornalismo e Relações Públicas, estudantes do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), conhecidos como Publicitários de Elite, realizam pela segunda vez o evento Conhecendo a Profissão. Pensado em um formato interativo, o encontro acontece entre os dias 19 e 21 de setembro, sempre das 19h às 21h, no Café Primaz + Cultura, localizado no bairro do Garcia.
Segundo o coordenador-geral do evento, Luís Carlos Teles, a iniciativa visa possibilitar a participação de pessoas interessadas em discutir os novos desafios e impactos causados pelas mídias sociais. “Alguns estudantes ficam um pouco perdidos na profissão. A ideia é justamente possibilitar a interação entre estudantes e profissionais, na tentativa de esclarecer pontos importantes para quem está começando”, afirma.
Além do Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, participam do Conhecendo a Profissão o PhD em Comunicação e Cultura Contemporâneas Thiago Falcão, o jornalista, radialista, apresentador e editor-chefe do BA TV Jefferson Beltrão, o radialista Naldão Animal e a cantora e compositora Ana Mametto. Palestras, workshops e cursos voltados para o mundo digital integram a programação do evento.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Curso sobre Produção de Eventos



Com o objetivo de capacitar quem deseja atuar com produção de eventos, a Pastoral da Comunicação realiza no dia 17 de setembro, das 8h às 17h30, mais uma edição dos Cursos Rápidos de Iniciação à Comunicação (CRIAC). As inscrições custam R$ 50 e podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, na Pastoral de Comunicação (Pascom), localizada na avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia. É importante lembrar que estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam a metade do valor da inscrição. Para mais informações pelo telefone: 4009-6688 ou 4009-6604.

Monitores/Currículuns:

Wedson de Oliveira Araujo, missionário, consagrado na Comunidade de Vida Shalom, residente em Salvador desde maio de 2007. Em Aracaju exerceu a função de Diretor de Programação e do Clube do Ouvinte da Rádio Cultura de Sergipe. Em 2005 e 2006 coordenou o Magnificat na capital Sergipana (semente do atual Halleluya) e produziu o Halleluya Salvador. Na capital baiana coordena os eventos da Comunidade Católica Shalom desde 2007.
Itamar Santos, Gestor de Eventos IBES/FACSAL, BI Artes da UFBA, Produtor musical do CD "Chega pra Ca" e "Promocional" da Banda Alto Louvor, Diretor Artístico do Halleluya Salvador 2010/2011, Produtor do Projeto Salvador Acontece (Pascom).
Rafael Gomes, Publicitário, graduado pela FTC, com especialização em Marketing pela UNIFACS. Atualmente é coordenador dos departamentos de marketing e comercial da ST Estruturas; Assessor de Produção e de Comunicação da Banda Alto Louvor e responsável pela assessoria de imprensa do cantor Davidson Silva.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Qual o primeiro passo para iniciar a Pascom na minha paróquia?



            Promessa feita, promessa cumprida!
Nossa amiga Ivani quer saber como e por onde começar o trabalho de Pascom. Então sugerimos algumas coisas. Em primeiro lugar é preciso compreender que toda pastoral [= Ação do Pastor] nasce de uma demanda da comunidade. Antes de qualquer coisa é preciso responder à pergunta: por que precisamos da Pastoral da Comunicação?   A resposta não deve ser fruto do que uma pessoa pensa e sim da reflexão feita em comunidade.
            Quando pensamos em começar a Pascom sempre corremos o risco de querer fazer coisas apenas. Geralmente os grupos nascem para fazer o jornal da paróquia, o site ou o programa de rádio. A missão da Pascom ultrapassa a linha do fazer e sua principal meta é integrar pessoas, comunicar ao mundo o que a Igreja verdadeiramente é e faz. De acordo com o Documento da CNBB, nº 75, Igreja e Comunicação Rumo ao Novo Milênio, a Pascom é a “pastoral do ser/estar em comunhão/comunidade. É a pastoral da acolhida, da participação, das inter-relações humanas, da organização solidária e do planejamento democrático do uso dos recursos e instrumentos da comunicação”.
            Outro aspecto que deve ser levado em consideração no início dos trabalhos da Pascom é o grupo. Não existe “euquipe”! A equipe da Pascom deve ser formada por pessoas que se identifiquem com a missão de evangelizar através da comunicação. E para integrar uma equipe de Pascom não é preciso ser um profissional da área de comunicação. Mas é necessário ter disponibilidade, estar inserido na comunidade. O agente de Pascom é alguém que reza e está conectado com o mundo.
            E o que fazer em grupo? A Igreja tem uma coleção de documentos sobre a comunicação, sem contar os muitos livros publicados sobre essa temática. É bom que o grupo conheça o que a Igreja pensa e deseja de nós. Paralelo ao estudo deve estar o planejamento da pastoral. E sobre esse assunto a gente conversa depois!
            Sugestões, dúvidas... Deixe o seu comentário!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Irmã Helena Corazza na Pascom

Um bate-papo com agentes da Pascom marcou a visita da Irmã Helena Corazza, fsp, à sede da Pastoral no dia 26 de agosto. Além da equipe arquidiocesana, também participaram desse momento agentes das paróquias de São Gonçalo do Retiro, São Francisco de Assis / Boca do Rio, Santo Antônio/ Cosme de Farias, Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora dos Mares e Santo Amaro de Ipitanga. Também estiveram conosco a equipe da Pascom da Arquidiocese de Feira de Santana. Foi um momento de troca de saberes e experiências.

Irmã Helena Corazza é presidente da Signis Brasil, associação de veículos de comunicação católicos e membro da Equipe de Reflexão da CNBB. 

Depois de uma longa pausa...

Pois é... Aprendi com a raposa, amiga do Pequeno Príncipe, que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos (quem não conhece essa história vale a pena conferir). E é por você, amigo leitor desse blog que retomamos as nossas reflexões após um período de silêncio. Às vezes, uma pausa no que fazemos traz novas inspirações e desejos. Ajuda a avaliar a caminhada feita até aqui. Aproveitamos a oportunidade para propor uma reflexão sobre a importância da pausa.
É muito comum ouvir dos agentes de pastorais o seguinte: não tenho tempo!  Não temos tempo para rezar, para bater um papo, para planejar as nossas atividades. Vivemos numa época em que tudo acontece ao mesmo tempo e sempre temos a sensação de estarmos atrasados. Brigamos o tempo todo com o relógio!
A ausência de um planejamento pastoral e pessoal pode ser a raiz desse ma-estar que vivemos. Ter metas e objetivos claros e bem definidos contribui para que o andamento das nossas atividades seja mais tranquilo. Em breve vamos discutir sobre como deve ser o planejamento da Pastoral da Comunicação.
Voltando ao tema da pausa, lembro aqui dois textos bíblicos que podem nos ajudar nessa reflexão. O primeiro pertence ao relato da Criação presente no livro do Gênesis, 2, 1-4. Após criar e admirar a obra que realizou, Deus descansou no sétimo dia. É isso mesmo, Deus nos ensina que é preciso parar! O descanso aqui, é entendido como o nada-pra-fazer, é o tempo de reflexão, de repouso. Jesus também nos ensina que é preciso ter tempo para rezar. Nos Evangelhos encontramos várias passagens em que Jesus se retira para rezar, como em Mateus, 17, momento em que o Mestre revela a sua divindade aos seus discípulos.
Então, seu grupo de Pascom já tem um planejamento? E você já traçou as suas metas de vida? Que tal começar... Seria maravilhoso receber comentários de sua experiência sobre esse tema!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma Igreja eletrônica


Cada vez mais pessoas estão conectadas às redes sociais em várias partes do mundo, destaque para o Brasil, que segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nielsen Company, é o país com maior taxa de internautas utilizando algum tipo de rede social.
Diante de seres humanos cada vez mais conectados pelas novas mídias e tecnologias, resolvi construir uma reflexão pensando nas redes sociais e na evangelização, que se faz tão necessária no mundo em que vivemos.
Jesus Cristo gostava de compartilhar seus ensinamentos utilizando parábolas: “o reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie” (Mt 13, 47-50). Ensinamentos que estimulam nossas imaginações.
Penso que passava pela cabeça de quem ouvia sábios ensinamentos, um filme, que ilustravam as parábolas, mexendo com a imaginação de discípulos e curiosos. Os quem ouviam as parábolas narradas por Cristo, pareciam vê no imaginário, vídeos, daquilo que era narrado, semelhante, por exemplo: a quando sonhamos, ou assistimos a um vídeo enviado via e-mail por um amigo.

Cristo há milhares de anos atrás, na sua missão de propagar a boa notícia escolheu na sua imensa e já populosa “rede social”, doze discípulos, a quem chamou de apóstolos (Lc 6,12-19).

Disse Jesus: “por onde andardes anunciai que o Reino dos Céus está próximo” (Mt 10-7), o Reino está próximo, porque está dentro de nós, é nossa a responsabilidade de conexão, e implantação desse Reino.

Diante da missão deixada por Jesus, mesmo diante das dificuldades e perseguições, os apóstolos começaram a evangelizar, e a propagar os ensinamentos do mestre, atraindo novos seguidores onde passavam, para o Reino de Deus, criando uma imensa rede de novos evangelizados.  

Juntos, (em comunhão) e conectados, podemos ampliar ainda mais o anúncio da boa notícia. "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações”. (Mt 24-14).

Seguindo o exemplo dos discípulos, podemos hoje, agora, com um clique, pescar, adicionar, ir, em busca de seres humanos, para as “redes sociais” do Reino de Deus da justiça e paz. O conectado servo de Deus Beato João Paulo II, disse: “a evolução é compatível com a fé cristã”.

You Tube, Orkut, Facebook, Twitter, MSN, Blogs, Sites, e outras linguagens eletrônicas, são ferramentas importantes (atraentes) que aliadas aos dons individuais de cada cristão, podem contribuir para estimular ações virtuais na construção do Reino dos Céus. Basta que o “CRISTOCONECTIVIDADE” inspire você! Vídeos, correios eletrônicos, postagens, blogs, fermentas que podem ajudar a transformar vidas de seres humanos internautas.

Jesus de Nazaré tem um incalculável número de seguidores, suas “postagens” são lembradas, lidas, seguidas, “curtidas”, até nos confins da terra, poderíamos afirmar seguramente, em uma analogia, que seu “Twitter” tem o maior número de seguidores do mundo.

Mas é preciso seguir, curtir, estar conectado a Jesus de verdade, na (orAÇÃO) em plena comunhão com uma igreja missionária, evangelizadora, profética, e, inevitavelmente, eletrônica. Sinal de Deus na terra, luz e conexão para construir uma sociedade mais humana.

 “O desenvolvimento é o novo nome da paz.” Beato João Paulo II

 *Dado Galvão

*Católico, Documentarista (www.dadogalvao.org), Bacharel em Administração em Marketing, Pós-Graduando em Marketing, Novas Mídias e Redes Sociais, Coordenador do Projeto A Casa Caiu! O Alerta que Vem do Cárcere (www.acasacaiu.org E-mail: dadogalvao@hotmail.com

Jequié (Ba) 08 de junho de 2011.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial das Comunicações

Um dia para celebrar o dom da comunicação. Para isso a Igreja instituiu em 1965, com o decreto conciliar Inter Mirifica, o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Neste ano, o tema proposto para a reflexão é Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital. Todos os anos o papa escreve uma carta para os comunicadores abordando a temática escolhida. Na Arquidiocese de Salvador, uma programação especial foi preparada para este dia. O ponto alto das celebrações será a Missa pelos Comunicadores na Igreja Ascensão do Senhor - CAB, às 9h. Participe conosco!
E na sua paróquia, comunidade? O que vocês estão programando? Contem pra gente! Gostariamos de publicar a programação e também a cobertura fotográfica de vocês! Enviem a programação e depois as fotos para o e-mail: pascomsalvador@yahoo.com.br. Então, aguardo vocês!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Carta de Dom Murilo aos Comunicadores

Prezado Comunicador,

            Há quase cinco décadas, a Igreja, no dia Mundial das Comunicações Sociais, envia aos comunicadores uma mensagem. Procura atingir, assim, os homens e as mulheres que trabalham na imprensa escrita, no rádio, no cinema, na televisão, na internet etc. Cada ano, a mensagem enfoca um tema especial. A deste ano reflete sobre a internet, “fenômeno característico do nosso tempo”, segundo as palavras do Papa Bento XVI. Como você receberá essa mensagem, não a comentarei. Prefiro fazer-lhes duas observações:
1ª) O fenômeno das comunicações sociais obriga a Igreja a repensar sua presença no mundo. Ela existe para evangelizar – isto é, para transmitir a todos, de geração em geração, a mensagem que recebeu de seu Senhor e Mestre. Com essa preocupação e missão, procurou utilizar-se, ao longo dos séculos, dos meios que estavam a seu alcance: a pregação em lugares públicos, o púlpito, o teatro, o livro etc. Hoje, coerentemente, ela necessita usar os poderosos meios de comunicação que a humanidade têm à sua disposição, graças ao dom de inventar que lhe foi dado pelo Criador.
            2ª) O Papa João Paulo II, escreveu, certa vez, que “o primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações” (cf. RM, 37c). Na cidade de Atenas, areópago era o espaço público onde sábios, oradores e poetas expunham suas idéias e propostas. O apóstolo Paulo julgou que aquele seria um lugar ideal para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado. A receptividade que teve, contudo, não foi das melhores – ao contrário, teve diante de si um público desinteressado e irônico. Em nossos tempos, a Igreja chama de areópagos aqueles ambientes em que o Evangelho está ausente ou em que é difícil anunciá-lo. E que ambiente se enquadra tanto nessas características como o mundo das comunicações? Se a Igreja conseguir usá-los, e o fizer adequadamente, terá neles um apoio precioso para difundir o Evangelho e os valores religiosos, para promover o diálogo, a cooperação ecumênica e inter-religiosa, assim como para difundir os princípios sólidos que são indispensáveis para se construir uma sociedade respeitadora da dignidade da pessoa humana e atenta ao bem comum (cf. João Paulo II, RD, 7).
            A você, pois, que atua neste importante campo, um pedido: utilize seus dons e o espaço que você tem à disposição para se unir aos que acreditam que é possível sonhar com um novo mundo – mundo que se concretizará se cada qual semear ao seu redor sementes de verdade.
            Obrigado, desde já, por sua colaboração. Jesus Cristo, comunicador por excelência, o/a abençoe!
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pascom qualifica agentes de comunicação

Sábado, 09 de abril é dia de formação para novos agentes de comunicação na Arquidiocese de Salvador. O encontro de qualificação será das 8 às 17 horas, no auditório do Centro Arquidiocesano de Pastoral (Av. Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia).  A atividade faz parte do processo continuado de preparação dos agentes e o objetivo é animar a implantação de novos grupos de Pastoral de Comunicação (Pascom) nas paróquias da Arquidiocese. As fichas de inscrição para o encontro foram enviadas para as paróquias e dois representantes indicados pelo pároco devem ser enviados. Outras informações pelo e-mail pascomsalvador@yahoo.com.br ou telefone (71) 4009-6688.
A dinâmica do encontro é a troca de experiências. Grupos já consolidados de Pascom farão apresentações das suas vivências e os participantes também participarão de palestras com os formadores da Pascom Arquidiocesana. Na programação estão temas sobre o que é Pascom e planejamento pastoral, que serão refletidos entre momentos de oração e partilha.
Atualmente, há cerca de 25 grupos de Pascom consolidados na Arquidiocese. São vivências diferentes que usam ferramentas simples e baratas como os murais e os blogs até aparatos mais complexos como a produção de jornais. Mas antes de tudo são pessoas preocupadas com a espiritualidade da comunicação. “A comunicação é um processo relacional. É um encontro com o outro e para que este encontro seja eficaz é necessário o cultivo da espiritualidade. Nós somos a pastoral das relações, que também passa pelos meios de comunicação, e por isso estamos acessíveis a todas as realidades”, explica Patrícia Luz, responsável pela formação dos agentes de Pascom na Arquidiocese.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Adeus ao padre José Comblin



Neste domingo, dia 27, nos despedimos do padre José Comblin, homem que ajudou a Igreja a pensar e ser diferente. Ele dedicou praticamente toda sua vida ao povo e à Igreja da América Latina, no Brasil, no Chile e no Equador e em centenas de assessorias por todos os países. Ele veio para o Brasil em 1958, junto com o Pe. Michel Schooyans e o Pe. Laga, todos doutores por Lovaina, mas que foram dar aulas no seminário menor, para onde os mandou o Bispo Paulo de Tarso. Em abril de 2010, o padre Comblin esteve em Salvador e bateu um papo com a equipe do Jornal São Salvador. Relembre conosco esse momento!

DIÁLOGO – Padre José Comblin
O padre pastoralista José Comblin concedeu entrevista ao São Salvador sobre as reflexões da Conferência de Aparecida, que, após três anos de sua realização, ainda ecoa na vida da Igreja. O religioso, que foi assessor de Dom Hélder Câmara, é autor de vários livros e participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Nesta conversa ele falou também sobre a própria vivência de fé na Igreja. Confira!


Jornal São Salvador - Na sua opinião, qual foi o papel histórico da Conferência de Aparecida?
Padre José Comblin - O papel histórico está na afirmação de que a Igreja Latina Americana tem que passar de uma pastoral de conservação para uma Igreja de missão. Isso constitui uma mudança porque pastoral de missão em nível de Igreja já faz 16 séculos que não acontece. É uma grande novidade. É claro que, na consciência da Igreja, faz anos que isso está presente. Mas, em nível de hierarquia, em nível de uma conferência tão numerosa como é a Latino-Americana, é novidade.

JSS - Neste ano dedicado ao sacerdócio, estamos falando muito sobre missão. O senhor acha que a formação recebida pelos padres atende às exigências da missão?
Padre José Comblin - Não conheço todos os seminários, mas acredito que o programa formativo continua o mesmo. Assimilar aquilo que está em Aparecida vai demorar uma ou duas gerações. Porque a transformação pedida é tão grande e forte que isso está começando a ser pensado. Acho difícil que os mesmos professores e formadores que prepararam os sacerdotes para a conservação sejam os mesmos que formarão sacerdotes para a missão. Será o objeto da geração seguinte, daqui a vinte anos. Uma mudança profunda, adaptada ao que está escrito no Documento de Aparecida, acho que isso é humanamente impossível acontecer nesta geração. Pelo menos é possível lançar a ideia, divulgá-la, acostumar as mentalidades a reconhecê-la. Porque modifica de tal modo toda a concepção do ministério sacerdotal que de certo modo tudo deve mudar. Pelo visto, o que provocou a escolha do tema da Conferência de Aparecida é a constatação da fuga de tantos católicos. Isso é um fenômeno muito sensível no Brasil e no mundo. Daí então que uma pastoral de conservação terá como resultado a saída de mais e mais católicos, a cada ano. Trata-se primeiro de frear essa fuga e depois tomar iniciativas, ter uma presença muito mais forte na sociedade contemporânea.

JSS - Como o senhor traduziria esse espírito missionário proposto pela Conferência de Aparecida dentro deste contexto pós-moderno?
Padre José Comblin - O terreno da missão são todos aqueles que não frequentam a paróquia e que se dizem católicos oficialmente. Vamos ver no censo quantos ainda se declaram católicos, mas que, para muitos, isso não inclui o conhecimento verdadeiro do Evangelho, não inclui uma prática religiosa. É o resto de um ambiente social que vem do passado. Esse mundo é o terreno que faz prosperar as igrejas evangélicas. No mundo suburbano são essas igrejas que chegam primeiro. É muito simples, porque o nível de formação intelectual das grandes massas não é muito elevado. De tal modo que não se podem fazer discursos muito complicados, nem vir com uma liturgia complicada. Primeiro, os pastores pertencem a esse mundo popular e eles têm um jeito muito simples de falar. De fato, nesse mundo das grandes periferias, das grandes favelas do Rio e de São Paulo, a presença da Igreja é muito fraca. Isso produz a fuga de muitos que se declaravam católicos. Essas pessoas, ou aderiram a uma comunidade evangélica, ou ficaram desligadas de qualquer instituição. Os que se declaram católicos vão diminuindo. Isso foi, eu acho, o que motivou a reflexão de Aparecida.

JSS- O senhor acha que a Conferência de Aparecida foi uma abertura de caminhos para uma mudança na perspectiva teológica na Igreja? Como o senhor avalia o trabalho teológico na Igreja hoje?
Padre José Comblin - Do trabalho teológico não se falam, quer dizer, é o assunto que evitaram cuidadosamente para não entrarem em dissensões. Ainda está no subconsciente o sentimento de que na América Latina nasceu a Teologia da Libertação, que foi condenada pelo Vaticano. Existem opiniões. Então, numa assembleia episcopal tem de tudo. Tem aqueles que acham que não é uma coisa tão perigosa e têm outros que dizem: ‘sejamos prudentes, não toquemos nas questões teológicas, assunto tão controvertido’. Acho que assim explico por que houve um silêncio sobre essas questões teológicas.

JSS - Durante a sua história, o senhor sempre caminhou com o povo, ouvindo e conhecendo os seus anseios. Estamos num ano eleitoral. Em sua opinião, quais são os desafios sociais, políticos e econômicos para os brasileiros?
Padre José Comblin - Apesar dos progressos do governo Lula, há milhões e milhões de miseráveis que sobrevivem com muita dificuldade. Muitos não comem todos os dias, outros comem uma vez por dia. São muitos doentes que não são atendidos e nem sabem a quem recorrer. Isso é inaceitável num país relativamente rico e civilizado. Não faltam alimentos, não falta dinheiro e nem recursos. Mas, que se mantenha dez por cento da população numa condição de miserabilidade, isso é insuportável, é intolerável. As classes dirigentes não enxergam isso, para eles isso não tem a menor importância. Mas para a Igreja, isso é justamente o que deveria ter a maior importância. É o desafio básico fundamental como conduzir essa situação. E aqueles que são simplesmente pobres, que são também muito mais numerosos, como sobrevivem com salários tão baixos, mesmo comparando com outros que têm o desenvolvimento semelhante. Como não se reconhece o que diz a Doutrina Social da Igreja, que recomenda um salário que cubra as necessidades básicas do trabalhador? Já se calculou que para atender à demanda do trabalhador, é necessário que o salário seja pelo menos de R$ 2.000,00. Sem isso não é possível viver satisfatoriamente. Geralmente, essas pessoas vêm de um passado de miséria, e qualquer aumento traz alegria. Estamos muito longe de uma situação de justiça. As empresas sempre choram e dizem que não podem oferecer melhores salários.

JSS - Como o senhor analisa a presença da Igreja na sua vida?
Padre José Comblin - Eu nasci numa família católica, conheci todas as transformações que houve desde então. Conheci a Igreja tradicional ainda Tridentina, vivi minha infância nessa Igreja. Depois, no decorrer dos estudos, tive a sorte de ter alguns bons professores, que inclusive foram teólogos do Concilio Vaticano II, da Universidade de Lovaina. Isso abriu o horizonte para ver toda a diferença que há entre a tradição eclesiástica e o mundo contemporâneo, a distância e a falta de comunicação que há entre eles. Nesse período se buscava uma aproximação, criar pontes. Sou da geração dos padres operários. O clero nunca tinha ido numa fábrica, não tinha um contato permanente com os operários e com o mundo do trabalho. Também há uma aproximação com o mundo intelectual. É o momento que surgem os teólogos que formaram o Concílio, esses padres tinham sido condenados na juventude. Um dia o padre Congar, eclesiólogo do Concílio, tinha sido condenado e exilado da França e proibido de ensinar, precisou se refugiar na Inglaterra. Então, quando o Cardeal Martine Paris anunciou a sentença, disse: “Não se preocupe demais, padre, daqui a dez anos todos estarão pensando como você”. E, de fato, dez anos depois, era o Concílio Vaticano II, e todas as ideias que tinham sido rejeitadas foram aceitas. O resultado do Concílio não era novidade para mim, já tinha estudado as questões na teologia. Porém, foi a consagração de uma nova geração. Depois houve todo um otimismo logo depois do Concílio, que terminou no ano de 1968. 

terça-feira, 1 de março de 2011

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã. Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.
            Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente. O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendida e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.
            Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.
            As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou. A análise deve ser mais profunda: 
“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais. Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.”
            Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”. Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos: 
“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade. E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.”
            Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”. Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação: 
"A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje."
            Bento XVI reiterou que a "relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas", sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos "valores espirituais" uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.
            Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher "tudo aquilo que existia de positivo" na tradição daquele povo, e "animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo". A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir "horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar" – concluiu o Santo Padre.

PLENÁRIA DO PONTIFÍCIO CONSELHO DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Tem início ontem, em Roma, a sessão plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. Durante os trabalhos serão discutidas, em especial, as contribuições oferecidas pelo Papa na sua Mensagem para o 45º Dia Mundial dedicado aos meios de comunicação social, intitulado “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”.

Fonte: Rádio Vaticano

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

SER PASCOM

Como os dois remos, necessários para tocar o barco que sobe a correnteza, a Pastoral da Comunicação deve desenvolver duas dimensões complementares; só assim, se manterá e chegará ao lugar certo. A primeira dimensão é a busca de "integração" em favor da Pastoral de Conjunto na Igreja; a segunda, é a construção de uma relação "missionária" da Igreja com o mundo.
A Igreja é servidora; por isso, a Pastoral da Comunicação coloca-se como parceira de todos os que, pela comunicação, querem fazer uma sociedade mais solidária, justa e fraterna. A comunicação não é apenas um meio para a solidariedade; é a primeira e mais básica manifestação de solidariedade.  A Pastoral da Comunicação, portanto, procura ajudar na integração da comunidade e, ao mesmo tempo, participar da ação da comunidade na sociedade, sempre sem perder de vista a construção do Reino a que somos chamados por Cristo.

PERFIL DO COMUNICADOR
O comunicador cristão, seja ele uma liderança religiosa, um Agente da Pastoral da Comunicação, um profissional da área ou um animador da comunicação no espaço educativo, deve apresentar um perfil psicopastoral em que se destaque: 
  • Uma reconhecida capacidade de se relacionar, o que significa capacidade de manter institucionalmente o diálogo com as várias tendências presentes na comunidade e diocese, assim como capacidade de cultivar uma tolerância responsável. 
  • Uma comprovada criatividade na descoberta de soluções para os problemas de comunicação com os quais tiver de lidar, buscando respostas novas e adequadas para situações igualmente novas.
  • Uma condição de visibilidade e de significabilidade, o que significa que o comunicador deve ser importante e significativo para a comunidade, pelo seu testemunho de coerência e tolerância, por sua transparência e sua capacidade de facilitar a todos que se expressem e se comuniquem. Cabe a ele garantir para o receptor o seu lugar de protagonista na comunicação de todas as fases do processo: planejamento, execução e avaliação.
  • Uma abertura para manter-se permanentemente em situação de aprendizagem, fato que levará o APC a buscar permanente atualização nos campos da teoria e tecnologias da comunicação. Enfim, uma profunda abertura para o exercício do diálogo, elemento essencial e específico do projeto cristão de comunicação. (Estudos da CNBB,75/226-232 Ed. Paulus) 

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Jesus Cristo, comunicação sem contradição

     Toda reflexão sobre comunicação inclui o tema da complementaridade ou contradição entre meio e mensagem. Para uns, como os famosa Escola de Frankfurt, o meio já é mensagem, existindo uma simbiose perfeita entre um e outro, que carrega seus valores e defeitos. Para muitos, no entanto, o meio tem valores intrínsecos, independente da mensagem e esta, por sua vez, utiliza-se daquele para ser transmitida. Os pensamentos variam mas um coisa é certa: meio e mensagem se complementam e se distinguem.
            Para o comunicador cristão que mergulha em Deus-Comunicação, existe um modelo perfeito que é Jesus Cristo, comunicador do Pai. E ele é base a vida e da ação de quem faz comunicação cristão, justamente, porque, n’Ele  não há contradição entre meio e mensagem.
            Jesus Cristo é “Palavra que se fez carne” (Jo 1, 14a). É mensagem que se fez meio, é teoria que se fez prática, é idéia que se fez atitude, é discurso que se fez ação de amor no meio do mundo.
            Na comunicação de Jesus não há contradição, não há limites entre céu e terra, entre história e eternidade. Tudo n’Ele é simbiose perfeita, é síntese. As rupturas comunicacionais existem tanto quanto mais existe distanciamento da Pessoa de Jesus Cristo. O comunicador que se aproxima dele, afasta-se da contradição.
            “E habitou entre nós” (Jô 1, 14b). Jesus não é comunicação distante, fria, acética. É comunicação próxima, encontro com a natureza humana, olho no olho da realidade de cada homem e mulher. É comunicação que não se fez e faz a  partir de um a priori , mas se realiza na verdade do outro, tendo como ponto de partida o olhar do outro. É comunicação misericordiosa.
            Misericórdia significa sentir com o sentimento alheio, estar próximo da miséria do coração do irmão. Jesus é esta proximidade de Deus. “Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus. Ele, existindo de forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano. Humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de Cruz!” Para habitar entre nós ele esvaziou-se, empobreceu-se, despojou-se da sua condição divina.
Para comunicar segundo a proposta de Jesus Cristo é preciso descer das riquezas, das verdades, das certezas. É preciso tornar-se pobre para dialogar com os pobres, é preciso tornar-se outro para estabelecer conexão com os outros.
            Um projeto evangélico do fazer comunicação não pode prescindir  desse descer, desse esvaziar-se. Não pode ser comunicação “para”. Só pode ser comunicação “com”. Construída em mutirão, feita em comunidade, com linguagem popular e metodologia participativa. É comunicação arriscada, pois construtora de verdade a partir do coletivo, do nós, na contramão da comunicação do mundo que tem como ponto de partida uma um emissor soberano da verdade.
          Na contemplação do Verbo que se fez carne, empobrecendo-se para estar com as pessoas, só pode emergir uma comunicação inclusiva, harmoniosa e gregária.  Comunicação que constrói um todo a partir de cada um. O comunicador cristão aprende do Cristo ou, inevitavelmente, fará a comunicação de si mesmo e não do Evangelho.
* Padre Manoel de Oliveira Filho - Coordenador Arquidiocesano de PASCOM

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Encontro com a Palavra


Mais uma dica para você que sempre acessa o nosso blog. Diariamente o seminarista Lourival partilha com os internautas a reflexão do evangelho. Seus textos estão disponíveis no blog Encontro Com a Palavra. Vale a pena conferir!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Atualize os seus conhecimentos

A cada ano sempre nos comprometemos em fazer algo novo, buscamos concretizar os sonhos que estão guardados. E você? Ainda se lembra do compromisso que fez na noite do dia 31 de dezembro de 2010? Que tal acrescentar, a este, um outro compromisso: atualizar os seus conhecimentos! Pois é, aos agentes da Pastoral da Comunicação e aos nossos simpatizantes indico dois livros digitais que podem ser baixados gratuitamente.

Ferramentas Digitais para Jornalistas - O livro da jornalista Sandra Crucianelli traz dicas valiosas para a exploração do ciberpaço. Conheça melhor o potencial de ferramentas digitais que você utiliza no seu cotidiano.  Baixe através do link: http://knightcenter.utexas.edu/hdpp.php

Cartilha de Redação Web - Num texto enxuto e com linguagem simples a Cartilha de Redação Web lançada pelo Ministério do Planejamento em 2010 tem o objetivo de contribuir com práticas eficientes no uso dos meios eletrônicos governamentais. Esta cartilha de pretende ser um guia e um norte na tarefa de elaborar informação clara, estruturada e eficaz para o meio digital. Baixe através do link: http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/padroes-brasil-e-gov/cartilha-de-redacao-web