sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Entrevista com o professor Luciano Santos

Para o professor Luciano Santos a religião existe para responder as profundas inquietações do ser humano
Neste mês de outubro, o Jornal São Salvador publicou uma matéria sobre os dados que a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas publicou no último mês de agosto, sobre as religiões no Brasil. Tivemos a oportunidade de conversar com professor de filosofia Luciano Santos e com o bispo auxiliar de Salvador, Dom Gregório Paixão, osb. Como o espaço do jornal é limitado, vamos publicar na íntegra o resultado dessas conversas. Acompanhe!
1) De acordo com os dados da pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, intitulada “Novo Mapa das Religiões”, no Brasil 89% de sua população acredita que a religião é importante. Por outro lado, temos uma grande transição de pessoas entre as religiões e um número significativo dos que se declaram sem religião. Como interpretar essa realidade? Qual é o papel da religião na vida humana atualmente?
Creio que a importância atribuída à religião por uma parcela tão expressiva da população brasileira se deve, em primeiro lugar, a um dado histórico básico: a forte presença do elemento religioso nas matrizes culturais ameríndia, ibérica e africana que atuaram na formação do povo brasileiro. A religiosidade está, por assim dizer, em nosso “DNA” cultural; atua em nossos extratos anímicos mais profundos e é uma das mais poderosas fontes simbólicas de nosso imaginário. Acrescente-se a isto o fato de o Brasil ainda ser uma nação predominantemente agrária (tendência em franca reversão) e de haver entrado somente há pouco mais de um século na modernidade técnica-científica-urbana-industrial, com sua mentalidade republicana e secularista, que afirma a auto-suficiência da razão e advoga a supremacia dos valores laicos sobre os religiosos. 
No entanto, se a secularização ainda não se mostrou suficiente para arrancar as fundas raízes de nossa histórica religiosidade, ela já exerce uma influência poderosa em amplas camadas da sociedade, sobretudo nas classes mais abastadas dos grandes centros urbanos, o que parece explicar o número crescente dos que se declaram sem religião. Por vezes, para pessoas de certo poder aquisitivo, bem instruídas e de alta competência profissional, esclarecidas, críticas, que viajam pelo mundo e manejam os mais sofisticados aparatos tecnológicos, pode soar “primitivo” aderir a artigos de fé sem manifesto respaldo científico, provindos das profundezas de um Passado que já parece definitivamente ultrapassado.  Quanto à alta mobilidade entre as religiões registrada na pesquisa, um importante fator é a gradual e intensa perda de hegemonia social da Igreja Católica desde o século passado, que corresponde a um mais amplo processo de “descristianização” já em curso nos países desenvolvidos do Ocidente.  
Com esse refluxo da Cristandade tradicional, abre-se um significativo espaço no campo das crenças, ocupado nos anos 1980 pelo espiritismo e pelas manifestações do esoterismo New Age, especialmente entre jovens e adultos de classe média, e, também e cada vez mais, pelas igrejas neo-pentecostais, de crescimento avassalador nas camadas populares. Essa intensa migração entre as religiões é ainda favorecida por algumas características culturais da sociedade contemporânea (por alguns chamada de “pós-moderna”), a exemplo da “atomização social” e do individualismo, que hipertrofia o sujeito e o erige em centro da existência; e do consumismo, que reduz as coisas a objetos de satisfação desse sujeito isolado em si mesmo. 
Nesse contexto, nasce uma religiosidade self service e fast food, híbrida, mutante e “fluida”, feita “ao gosto” do indivíduo e de seus interesses momentâneos, e incapaz de mobilizar adesões profundas e compromissos a longo prazo. Por outro lado, como a religião existe para responder a uma incontida exigência de sentido do coração humano, a busca por formas autênticas de espiritualidade tende paradoxalmente a intensificar-se, hoje em dia, na mesma medida em que se desmascaram as formas descartáveis de religiosidade e as ilusões do consumismo, que confunde felicidade com bem-estar individual.  
Luciano Costa Santos é Professor Adjunto de Filosofia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Professor Convidado da Pós-Graduação em Filosofia Contemporânea da Faculdade São Bento da Bahia (FSBB). Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com estágio no Institut Catholique da Paris. É autor de “O Sujeito Encarnado – a Sensibilidade como Paradigma Ético em Emmanuel Levinas” (Ed. UNIJUÍ), entre outras obras. Email: lucostasantos1@gmail.com

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dom Celli e a Era Digital na Igreja Católica


Dom Claudio Maria Celli é presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais 
Foto: TV Canção Nova

A Igreja tem de falar a linguagem do homem moderno, se quer ser entendida. Esta foi uma das mensagens que o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli deixou no último sábado nas Jornadas da Comunicação Social, em Fátima, no seu discurso sobre a “Era Digital e comunicação na Igreja Católica”. “A Igreja deve dialogar com esta cultura digital originada pelas novas tecnologias. Necessitamos fazer este diálogo, porque é o diálogo com o homem de hoje, cuja vida está marcada, transformada por estas tecnologias. Tenho de falar uma linguagem que o homem e a mulher de hoje entendam. Uma coisa é falar com uma criança de 10 anos, outra é falar com um homem de 40 ou com um homem de 60, são momentos distintos da vida, e a minha linguagem deve sintonizar-se com a experiência humana, com as exigências, os desejos, os sofrimentos, as alegrias de cada momento da vida. Esta é uma das grandes tarefas da Igreja”, afirmou.
O presidente Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais disse ainda, que o tema escolhido pelo Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações é “Silêncio e Palavra: caminho de evangelização”. Dom Claudio Maria Celli explicou que Bento XVI e a Igreja se preocupam com o lado “humano” e não apenas tecnológico da nova “cultura digital”. Daí que o Papa quer alertar, desta vez, para a importância do silêncio que o Homem moderno tanto receia, mas que é fundamental para a própria comunicação que hoje tem demasiado “ruído”.
“O Santo Padre quer convidar-nos a compreender que a comunicação deve ter sempre uma dimensão humana. O Papa pede que a comunicação, com ou sem tecnologia, seja uma comunicação profundamente humana e é indiscutível que se exija um silêncio”, afirmou. Dom Claudio Maria Celli acrescenta que “hoje em dia as pessoas têm medo do silêncio porque é um silêncio vazio e não é disto que o Papa quer falar. Quer falar de um coração do homem e mulher que procuram o silêncio para se encontrarem a si mesmos, para se conhecerem a si mesmos, mas, ao mesmo tempo, para ter uma dimensão de abertura face ao outro, para que o outro possa entrar no meu coração e eu o possa conhecer mais profundamente”. (SP)
Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Papa anuncia o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações


“Silêncio e Palavra: caminho de evangelização” é o tema escolhido por Bento XVI para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais que se realizará em 20 de maio de 2012, no domingo que antecede Pentecostes. A mensagem do Papa para esse evento tradicionalmente é divulgada em 24 de janeiro, em memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas.
De acordo com uma nota do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, no pensamento de Bento XVI, “o silêncio não é apresentado simplesmente como uma forma de contraposição a uma sociedade caracterizada pelo fluxo constante da comunicação, mas sim como um necessário elemento de integração”. Para o Pontífice, “o silêncio, justamente porque favorece a dimensão do discernimento e do aprofundamento, pode ser visto como um primeiro grau de acolhimento da palavra”.
A nota ainda manifesta a vontade do Papa de sincronizar o tema da Jornada com a celebração do Sínodo dos Bispos. Este que terá como tema “a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi estabelecido pelo Concílio Vaticano II com o Decreto Inter Mirifica de 1963. (ED)

Fonte: Rádio Vaticana

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cursos na Pascom


A Pastoral da Comunicação realiza mais uma edição dos Cursos Rápidos de Iniciação a Comunicação (CRIAC). Confira os cursos:
·        Oficina de Fotografia – Será realizada no dia 8 de outubro e ministrada por Mariana Miranda, fotógrafa e jornalista, das 8h às 12h30. É importante que os participantes tragam sua máquina fotográfica. A inscrição custa R$ 40,00.
·        Português aplicado à Pastoral – O curso tem início a partir do dia 18, com carga horária de 40 horas. As aulas ministradas pela professora Letícia Portela, mestra em Língua Portuguesa, acontecem às quartas e sextas-feiras, em dois horários: das 9h às 10h30 e das 13h às 14h30. A mensalidade do curso custa R$ 60,00.
·        Oficina de Voz – Na oficina que tem início no dia 11 de outubro, os interessados aprenderão exercícios para o cuidado com a voz. As aulas serão realizadas pela fonoaudióloga Emile Rocha, sempre às terças-feiras, das 9h às 10h, até o dia 22 de novembro. A taxa de inscrição custa R$ 40,00.
Os cursos acontecem na sede da Pascom (Avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia) e as inscrições para podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h. Estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam a metade do valor da inscrição. Outras informações pelo telefone 4009-6604.

domingo, 25 de setembro de 2011

O sucesso visto por um cristão



            Se o cristão pode, sem escrúpulo, falar de sucesso, é porque ele atribui a esse termo dimensões que não se encontram, precisamente, no star system de Hollywood:
  • A confiança total no Pai
  • O impacto sobre os sofrimentos mais pungentes
  • A cruz
Jesus possuía sem dúvida dons excepcionais para curar doenças e multiplicar doenças e multiplicar pães. Isso não é o específico do “sucesso cristão” mas sim a confiança total do Cristo nAquele que ele chamava de “Pai”. Palavras incríveis pouco antes da ressurreição de Lazaro: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me ouves” (João 11, 41-42). É realmente muito poderoso quem pode falar dessa maneira: a fonte da vida corre nele sem nenhum obstáculo.
Outra razão do sucesso: o Messias é aquele que toca diretamente a miséria do povo. Ele vai para onde se faz o mal, para onde está o mal. Ele desaloja os demônios de seu tempo, de modo concreto e radical. Ele põe de pé, faz ver, reintegra na comunidade e denuncia a opressão dos fariseus e dos sacerdotes.
O sucesso cristão, enfim, possui uma originalidade: ele abraça a cruz. O teste da estrela cristã está na maneira de abordar a cruz. Não existe sucesso cristão que não tenha passado pela cruz: cruz secreta da agonia interior e da dúvida, cruz das críticas e do fracasso, cruz do abandono pelos amigos, cruz da injustiça e da prisão.
Por que essa cruz é necessária? Porque ela realiza em nós a morte do ego e torna transparente aos olhos de todos a justiça e a força de Deus. Quando os espectadores daquela época viram o Cristo abatido e traspassado na cruz, compreenderam melhor do que quando viam os milagres de cura: “De fato! Esse homem era justo!”, disse o centurião após a morte de Jesus (Lucas 23, 47).
O publicitário Séguéla fez um bom diagnóstico ao afirmar que os políticos midiáticos cuidam de seus egos: “A política está doente pelo excesso de palavras, pelo excesso de falsidade. Com frases demasiadas e ênfase exagerada, ela ficou embriaga pelos continentes, mas perdeu seu conteúdo. Existir é simples, basta expressar sua alma, não ego”. Quando isso ocorre, não é a potência de Deus que fala, mas meu pequeno ego inflado. É por isso que os políticos buscam a sim mesmos, não o bem do público. Muitas vezes, por trás das belas frases, é a estrela que busca a si mesma, enfeitando-se com bons sentimentos. O sofrimento é necessário para nos apartar de uma estrela mundana. Cristo nunca procurou a própria glória. Existe um ponto no qual, como comunicador, meço minha distância com o Cristo: a busca de minha glória e de meu sucesso está colada na pele. Mas a cruz me é tão necessária quanto a luz. Não porque a cruz endurece ao fazer sofrer, mas porque ela mata o ego ao fazê-lo perder a sua cara. Esse homem Jesus, pendurado na cruz, perde seu belo rosto de superstar, sua atração junto às multidões: ele se obriga a abandonar-se àqueles mesmos que o matam. A cruz é a perda da imagem bela. Mistério difícil de ser proclamado! Temos de entender que a cruz não é para nós, comunicadores, um caminho opcional, uma disposição virtuosa qualquer, ela é uma necessidade de perseguição como uma necessidade do próprio ministério. Assim como quem corre uma maratona precisa exercitar-se o ano inteiro para a prova, do mesmo modo é necessário a quem evangeliza introduzir e experimentar a cruz em sua vida. Não para adquirir músculos, mas para esvaziar-se do ego. Mas do que nunca, nessa cultura do sucesso midiático, somos obrigados – para evangelizar – a nos alegrar com nossas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco é que sou forte” (2Coríntios 12,10).
Quando o ego cede seu lugar, transparece a potência de Deus: os cristãos conhecem esta fala. É preciso então procurar a fraqueza, a dificuldade, o revés? Não é preciso procurar aquilo que virá inelutavelmente. Penso que nossa comunicação deveria enraizar-se numa dupla atitude: o sucesso e a fuga, a imersão midiática e a solidão. Cristo na vida pública, apresenta este duplo aspecto: ele mergulha no sucesso da multiplicação dos pães e, à tardinha, retira-se para a montanha (João 6,1-5). Perigoso controlar a audiência e ser ovacionado pelo público: são alimentos artificiais que revigoram o ego. Também a solidão da presença de si mesmo e de Deus pertence ao nosso treinamento cotidiano. O específico do sucesso cristão não é o amor pela cruz como tal, nem o prazer de se humilhar e ser o último de todos, mas a convicção de que a cruz é intrínseca à vida plena e à manifestação de Deus. Sem a cruz, somos incapazes de conformar nosso ego e, sem ela, as pessoas não conseguem perceber aquilo que nos anima por dentro.
As Igrejas pobres ou em dificuldade fazem-nos recordar, melhor que outras a lei da cruz. A revista Ásia Focus cita as palavras de um jornal do Paquistão: “Diferentemente dos lugares onde a teologia é construída nas universidades ou nos seminários relativamente confortáveis [...] a Igreja da Ásia fala mais da cruz, da fraqueza e kénose de Jesus. Os cristãos acolhem com mais prazer uma Igreja que é humilde, paciente e impotente, mas que vive na esperança...”.

(BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

sábado, 24 de setembro de 2011

Continuar o Evangelho é continuar o impacto


          Um pouco mais de espiritualidade!

             Não identificamos Jesus com os profissionais de comunicação. Jesus não tem nada de jornalista: ele não narra o fato, ele o faz. Os evangelistas foram chamados de primeiros jornalistas, Paulo e Pedro apenas fizeram reverberar o golpe. O Evangelho é da ordem do fato, do golpe. Mas jornalistas e evangelistas têm isto em comum: visam antes de tudo o impacto, seja este um furo jornalístico ou um milagre, a quantidade de exemplares vendidos ou o número de fiéis. Por outro lado, Jesus – como os jornalistas – insere-se de imediato no tecido das infelicidades e das tramas. Ele prefere os doentes e pecadores aos bem apessoados, os trens que descarrilam aos que chegam no horário. A Boa Nova não é anúncio de um céu intemporal, é golpe desferido nas doenças e nos exploradores de então.
            Qual foi o segredo de Jesus? Esse homem testemunhou um amor e uma visão que vinham de outro lugar. Em sua fuga para o Templo de Jerusalém, aos doze anos, deu provas de caráter e discernimento fora do comum: fugir assim, e tão jovem, demonstra que o mal era já uma experiência que o fazia sofrer. Jesus conhecia o mal, fosse ele chamado de Satã, paralisia ou neurose, dominação dos ricos ou hipocrisia dos sacerdotes. Além disso, ligado a seu Pai, Jesus mostrou um incrível poder, não somente de sedução, mas de Solução. O segredo de seu impacto é idêntico ao dos grandes filmes: Jesus conheceu o mal de sua geração. Ele encarnou a grande luta cósmica entre Bem e o Mal. O Evangelho... é o Mal que “escoa”.
            É nosso dever, como pequenos profetas, não repetir uma boa nova intemporal, mas ouvir o grito de nossas populações, a começar pelas mais infelizes. E, ao mesmo tempo, fazer coincidir a infelicidade e a felicidade, a aflição e a Boa Nova. Saber como transmitir o Evangelho na televisão é secundário, falso até. A verdadeira questão é esta: como provocar impacto, como, falando a linguagem de meu povo, engajar-me no grande combate entre liberdade e escravidão, entre doença e vida, entre morte e Vida Plena? Eu diria: o sucesso, em termos cristãos é esse tipo de impacto. Vamos analisá-lo mais de perto, porque tocamos aqui numa das questões fundamentais que se põem todos os dias para cada comunicador cristão.

(BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sucesso x Evangelho

Que tal aproveitar o fim de semana para uma reflexão? Segue um bom texto sobre espiritualidade e comunicação. Partilhe com seu grupo de Pascom, com seus amigos!

Qual a relação entre star, sucesso e Evangelho?



Uma das categorias fundamentais que encontrei no universo midiático foi o sucesso. Sucesso ligado à audiência e, portanto, à publicidade e ao dinheiro. Os americanos, mais do que nós mergulhados nesta cultura, surpreenderam-me sempre quando perguntavam de chofre: “Você faz sucesso?” Proveniente de uma cultura literária onde prevalecem idéias justas e talvez humildes, eu quase me escandalizava. Uma outra categoria, equivalente à do sucesso, é a do star system. Basta lembrar o filme Jesus Cristo, Superstar!  Teria Jesus cultivado o sucesso? Podemos considerá-lo uma estrela? Como cristãos, devemos procurar o sucesso, entrar na corrida pela audiência, na busca do estrelismo? Dizia-me Pe Antônio Rego, realizador de programas religiosos na televisão portuguesa: “Quando eu fazia meus primeiros programas para a televisão, consagrava todo tempo à criação e à produção de uma boa mensagem. Hoje, na condição de diretor de programa na TV1, passo meu tempo no controle de audiência”. É este o bom caminho? Apesar de minhas reticências sobre o assunto devo reconhecer que existe uma certa conivência entre o Evangelho e as categorias midiáticas de star e do sucesso. Qual a relação entre sucesso e Evangelho? Encontro no dicionário a primeira resposta a esta pergunta. Depois de se referir à etimologia da palavra sucesso (successus, succedere, avançar sobre), o dicionário Robert dá uma primeira definição: “Aquilo que acontece de bom ou de mau após um ato, um fato inicial”. Embora o termo tenha sido utilizado posteriormente no sentido de êxito e bom resultado, eu o tomo aqui no seu sentido primeiro e fundamental: a essência do sucesso não é o êxito, mas o impacto. Realmente, como negar que Jesus fez sucesso? Sua pessoa e suas ações tiveram enormes resultados durante sua vida, e mais ainda depois de sua morte. A Bíblia, que contém o livro dos evangelhos, permanece como o maior sucesso mundial de livraria de todos os tempos. Posso acrescentar: o Evangelho está intrinsecamente ligado ao sucesso no sentido de impacto. No dia em que o impacto acabar, o Evangelho acaba.
            Podemos imaginar Jesus tomando o ônibus, indo à periferia das grandes cidades: Paris, Nova York, Tóquio, Londres, Calcutá, São Paulo. Jesus perdendo-se nessas “supercidades” de 20 a 50 milhões de habitantes que, a não ser em caso de catástrofe, se desenham em nosso futuro. Jesus empurrando um carrinho nos supermercado, Jesus nos arrabaldes, ricos ou imundos, proibidos ou protegidos pela polícia. Jesus no meio de desempregados e velhos, com jovens de penteados espetaculares. O que Jesus teria dito? Ele choraria sobre as nossas cidades como chorou sobre Jerusalém? Uma coisa pode ser considerada certa: ele faria sucesso, no sentido de impacto. Como no passado, ele despertaria o entusiasmo e o conflito. Por quê?

((BABIN Pierre e ZUKOWSKI Ângela An. Mídias chance para o Evangelho. Edições Loyola, São Paulo, 2005.)

Compartilhe conosco a sua reflexão a partir desse texto! Deixe um comentário!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Diretrizes da Pascom da Arquidiocese de Salvador

Para alcançar um objetivo traçamos metas, planejamos ações... No trabalho da Pascom na Arquidiocese de Salvador buscamos compreender a nossa missão e definimos algumas diretrizes que norteiam o nosso caminho. Essas diretrizes nasceram de um trabalho feito pela equipe Arquidiocesana de Pascom e foi compartilhada com os agentes de Pascom paroquial. Agora compartilhamos com você a síntese desse trabalho!


A Pastoral da Comunicação é:
  •  Um grupo de pessoas que respondendo ao chamado de Jesus Cristo se reúne para ser comunicação com oração e ação.
  • Um grupo de pessoas que dialoga com a realidade, comunicando o Evangelho, em vista de transformá-la.
  • Uma comunidade atenta a tudo o que acontece na Igreja para comunicar o que ela realmente é e faz.
  • Uma construção em mutirão.
  • Um grupo protagônico, proativo e espiritualizado.
  • Uma comunidade que faz parte de uma rede de comunidades dentro da paróquia, na relação da paróquia com a diocese e com toda sociedade.
  • Um grupo que cuida da qualidade dos relacionamentos interpessoais e intergrupais.
  • Um grupo que cuida da comunicação da Igreja com a sociedade através dos meios de comunicação sociais.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conhecendo a Profissão



Com o objetivo de divulgar e esclarecer assuntos relacionados às profissões ligadas à área de Comunicação, a exemplo de Publicidade, Jornalismo e Relações Públicas, estudantes do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), conhecidos como Publicitários de Elite, realizam pela segunda vez o evento Conhecendo a Profissão. Pensado em um formato interativo, o encontro acontece entre os dias 19 e 21 de setembro, sempre das 19h às 21h, no Café Primaz + Cultura, localizado no bairro do Garcia.
Segundo o coordenador-geral do evento, Luís Carlos Teles, a iniciativa visa possibilitar a participação de pessoas interessadas em discutir os novos desafios e impactos causados pelas mídias sociais. “Alguns estudantes ficam um pouco perdidos na profissão. A ideia é justamente possibilitar a interação entre estudantes e profissionais, na tentativa de esclarecer pontos importantes para quem está começando”, afirma.
Além do Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, participam do Conhecendo a Profissão o PhD em Comunicação e Cultura Contemporâneas Thiago Falcão, o jornalista, radialista, apresentador e editor-chefe do BA TV Jefferson Beltrão, o radialista Naldão Animal e a cantora e compositora Ana Mametto. Palestras, workshops e cursos voltados para o mundo digital integram a programação do evento.


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Jornal São Salvador entrevista jovem missionária do Pontos Coração


Se entregar de corpo e alma ao projeto de Deus, servindo e ajudando aos menos favorecidos. Foi com este objetivo que Noélia Defina decidiu fazer parte do Movimento Pontos Coração. Aos 24 anos, Nany, como gosta de ser chamada, deixou a casa dos pais em Buenos Aires, na Argentina, para passar 18 meses em missão no Brasil. Essa história você confere no Jornal São Salvador, no mês de outubro. Não perca!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Curso sobre Produção de Eventos



Com o objetivo de capacitar quem deseja atuar com produção de eventos, a Pastoral da Comunicação realiza no dia 17 de setembro, das 8h às 17h30, mais uma edição dos Cursos Rápidos de Iniciação à Comunicação (CRIAC). As inscrições custam R$ 50 e podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, na Pastoral de Comunicação (Pascom), localizada na avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia. É importante lembrar que estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam a metade do valor da inscrição. Para mais informações pelo telefone: 4009-6688 ou 4009-6604.

Monitores/Currículuns:

Wedson de Oliveira Araujo, missionário, consagrado na Comunidade de Vida Shalom, residente em Salvador desde maio de 2007. Em Aracaju exerceu a função de Diretor de Programação e do Clube do Ouvinte da Rádio Cultura de Sergipe. Em 2005 e 2006 coordenou o Magnificat na capital Sergipana (semente do atual Halleluya) e produziu o Halleluya Salvador. Na capital baiana coordena os eventos da Comunidade Católica Shalom desde 2007.
Itamar Santos, Gestor de Eventos IBES/FACSAL, BI Artes da UFBA, Produtor musical do CD "Chega pra Ca" e "Promocional" da Banda Alto Louvor, Diretor Artístico do Halleluya Salvador 2010/2011, Produtor do Projeto Salvador Acontece (Pascom).
Rafael Gomes, Publicitário, graduado pela FTC, com especialização em Marketing pela UNIFACS. Atualmente é coordenador dos departamentos de marketing e comercial da ST Estruturas; Assessor de Produção e de Comunicação da Banda Alto Louvor e responsável pela assessoria de imprensa do cantor Davidson Silva.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

3º Encontro Nacional da Pascom acontecerá em 2012


Equipe dos Coordenadores Regionais prepara o Encontro Nacional da  Pascom

A Casa de Retiros Assunção, em Brasília (DF), foi palco, ontem, 30, de mais uma reunião dos Coordenadores Regionais da Pastoral da Comunicação (Pascom), a fim de debater e organizar o 3º Encontro Nacional da Pascom, que acontecerá em Aparecida, interior de São Paulo, de 19 a 22 de julho de 2012.
Os oito representantes, de várias partes do Brasil, definiram a grade de programação, os palestrantes e atividades que serão desenvolvidas no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. O padre Manoel de Oliveira Filho, coordenador Arquidiocesano da Pascom, representa o Regional NE 3 da CNBB (Bahia/Sergipe). Os participantes divulgaram ainda o blog oficial do 3º Encontro Nacional da Pascom.
Segundo a assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social, irmã Élide Fogolari, o encontro nacional da Pascom será, durante três dias “o centro de convergências para todas as pessoas que fazem a comunicação católica no Brasil e desejam aprimorar o ser e o fazer evangelização através da comunicação”.
As inscrições para o 3º Encontro Nacional da Pascom estarão abertas a partir do dia 1º de fevereiro de 2012.

*Fonte: CNBB

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Qual o primeiro passo para iniciar a Pascom na minha paróquia?



            Promessa feita, promessa cumprida!
Nossa amiga Ivani quer saber como e por onde começar o trabalho de Pascom. Então sugerimos algumas coisas. Em primeiro lugar é preciso compreender que toda pastoral [= Ação do Pastor] nasce de uma demanda da comunidade. Antes de qualquer coisa é preciso responder à pergunta: por que precisamos da Pastoral da Comunicação?   A resposta não deve ser fruto do que uma pessoa pensa e sim da reflexão feita em comunidade.
            Quando pensamos em começar a Pascom sempre corremos o risco de querer fazer coisas apenas. Geralmente os grupos nascem para fazer o jornal da paróquia, o site ou o programa de rádio. A missão da Pascom ultrapassa a linha do fazer e sua principal meta é integrar pessoas, comunicar ao mundo o que a Igreja verdadeiramente é e faz. De acordo com o Documento da CNBB, nº 75, Igreja e Comunicação Rumo ao Novo Milênio, a Pascom é a “pastoral do ser/estar em comunhão/comunidade. É a pastoral da acolhida, da participação, das inter-relações humanas, da organização solidária e do planejamento democrático do uso dos recursos e instrumentos da comunicação”.
            Outro aspecto que deve ser levado em consideração no início dos trabalhos da Pascom é o grupo. Não existe “euquipe”! A equipe da Pascom deve ser formada por pessoas que se identifiquem com a missão de evangelizar através da comunicação. E para integrar uma equipe de Pascom não é preciso ser um profissional da área de comunicação. Mas é necessário ter disponibilidade, estar inserido na comunidade. O agente de Pascom é alguém que reza e está conectado com o mundo.
            E o que fazer em grupo? A Igreja tem uma coleção de documentos sobre a comunicação, sem contar os muitos livros publicados sobre essa temática. É bom que o grupo conheça o que a Igreja pensa e deseja de nós. Paralelo ao estudo deve estar o planejamento da pastoral. E sobre esse assunto a gente conversa depois!
            Sugestões, dúvidas... Deixe o seu comentário!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Irmã Helena Corazza na Pascom

Um bate-papo com agentes da Pascom marcou a visita da Irmã Helena Corazza, fsp, à sede da Pastoral no dia 26 de agosto. Além da equipe arquidiocesana, também participaram desse momento agentes das paróquias de São Gonçalo do Retiro, São Francisco de Assis / Boca do Rio, Santo Antônio/ Cosme de Farias, Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora dos Mares e Santo Amaro de Ipitanga. Também estiveram conosco a equipe da Pascom da Arquidiocese de Feira de Santana. Foi um momento de troca de saberes e experiências.

Irmã Helena Corazza é presidente da Signis Brasil, associação de veículos de comunicação católicos e membro da Equipe de Reflexão da CNBB. 

Depois de uma longa pausa...

Pois é... Aprendi com a raposa, amiga do Pequeno Príncipe, que somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos (quem não conhece essa história vale a pena conferir). E é por você, amigo leitor desse blog que retomamos as nossas reflexões após um período de silêncio. Às vezes, uma pausa no que fazemos traz novas inspirações e desejos. Ajuda a avaliar a caminhada feita até aqui. Aproveitamos a oportunidade para propor uma reflexão sobre a importância da pausa.
É muito comum ouvir dos agentes de pastorais o seguinte: não tenho tempo!  Não temos tempo para rezar, para bater um papo, para planejar as nossas atividades. Vivemos numa época em que tudo acontece ao mesmo tempo e sempre temos a sensação de estarmos atrasados. Brigamos o tempo todo com o relógio!
A ausência de um planejamento pastoral e pessoal pode ser a raiz desse ma-estar que vivemos. Ter metas e objetivos claros e bem definidos contribui para que o andamento das nossas atividades seja mais tranquilo. Em breve vamos discutir sobre como deve ser o planejamento da Pastoral da Comunicação.
Voltando ao tema da pausa, lembro aqui dois textos bíblicos que podem nos ajudar nessa reflexão. O primeiro pertence ao relato da Criação presente no livro do Gênesis, 2, 1-4. Após criar e admirar a obra que realizou, Deus descansou no sétimo dia. É isso mesmo, Deus nos ensina que é preciso parar! O descanso aqui, é entendido como o nada-pra-fazer, é o tempo de reflexão, de repouso. Jesus também nos ensina que é preciso ter tempo para rezar. Nos Evangelhos encontramos várias passagens em que Jesus se retira para rezar, como em Mateus, 17, momento em que o Mestre revela a sua divindade aos seus discípulos.
Então, seu grupo de Pascom já tem um planejamento? E você já traçou as suas metas de vida? Que tal começar... Seria maravilhoso receber comentários de sua experiência sobre esse tema!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma Igreja eletrônica


Cada vez mais pessoas estão conectadas às redes sociais em várias partes do mundo, destaque para o Brasil, que segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nielsen Company, é o país com maior taxa de internautas utilizando algum tipo de rede social.
Diante de seres humanos cada vez mais conectados pelas novas mídias e tecnologias, resolvi construir uma reflexão pensando nas redes sociais e na evangelização, que se faz tão necessária no mundo em que vivemos.
Jesus Cristo gostava de compartilhar seus ensinamentos utilizando parábolas: “o reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie” (Mt 13, 47-50). Ensinamentos que estimulam nossas imaginações.
Penso que passava pela cabeça de quem ouvia sábios ensinamentos, um filme, que ilustravam as parábolas, mexendo com a imaginação de discípulos e curiosos. Os quem ouviam as parábolas narradas por Cristo, pareciam vê no imaginário, vídeos, daquilo que era narrado, semelhante, por exemplo: a quando sonhamos, ou assistimos a um vídeo enviado via e-mail por um amigo.

Cristo há milhares de anos atrás, na sua missão de propagar a boa notícia escolheu na sua imensa e já populosa “rede social”, doze discípulos, a quem chamou de apóstolos (Lc 6,12-19).

Disse Jesus: “por onde andardes anunciai que o Reino dos Céus está próximo” (Mt 10-7), o Reino está próximo, porque está dentro de nós, é nossa a responsabilidade de conexão, e implantação desse Reino.

Diante da missão deixada por Jesus, mesmo diante das dificuldades e perseguições, os apóstolos começaram a evangelizar, e a propagar os ensinamentos do mestre, atraindo novos seguidores onde passavam, para o Reino de Deus, criando uma imensa rede de novos evangelizados.  

Juntos, (em comunhão) e conectados, podemos ampliar ainda mais o anúncio da boa notícia. "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações”. (Mt 24-14).

Seguindo o exemplo dos discípulos, podemos hoje, agora, com um clique, pescar, adicionar, ir, em busca de seres humanos, para as “redes sociais” do Reino de Deus da justiça e paz. O conectado servo de Deus Beato João Paulo II, disse: “a evolução é compatível com a fé cristã”.

You Tube, Orkut, Facebook, Twitter, MSN, Blogs, Sites, e outras linguagens eletrônicas, são ferramentas importantes (atraentes) que aliadas aos dons individuais de cada cristão, podem contribuir para estimular ações virtuais na construção do Reino dos Céus. Basta que o “CRISTOCONECTIVIDADE” inspire você! Vídeos, correios eletrônicos, postagens, blogs, fermentas que podem ajudar a transformar vidas de seres humanos internautas.

Jesus de Nazaré tem um incalculável número de seguidores, suas “postagens” são lembradas, lidas, seguidas, “curtidas”, até nos confins da terra, poderíamos afirmar seguramente, em uma analogia, que seu “Twitter” tem o maior número de seguidores do mundo.

Mas é preciso seguir, curtir, estar conectado a Jesus de verdade, na (orAÇÃO) em plena comunhão com uma igreja missionária, evangelizadora, profética, e, inevitavelmente, eletrônica. Sinal de Deus na terra, luz e conexão para construir uma sociedade mais humana.

 “O desenvolvimento é o novo nome da paz.” Beato João Paulo II

 *Dado Galvão

*Católico, Documentarista (www.dadogalvao.org), Bacharel em Administração em Marketing, Pós-Graduando em Marketing, Novas Mídias e Redes Sociais, Coordenador do Projeto A Casa Caiu! O Alerta que Vem do Cárcere (www.acasacaiu.org E-mail: dadogalvao@hotmail.com

Jequié (Ba) 08 de junho de 2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Paróquia Nossa Senhora da Luz celebra o Dia Mundial das Comunicações


A paróquia Nossa Senhora da Luz, no bairro da Pituba, realiza o 2º Encontro de Comunicação, reunindo paroquianos e fiéis de comunidades da forania. A tarde de 4 de junho será um momento para os membros das pastorais e movimentos refletirem a carta do papa para os comunicadores e participarem de oficinas de comunicação. Os participantes poderão escolher entre quatro opções de temas: fotografia, redes sociais, texto jornalístico e novas regras ortográficas. O evento é coordenado pela Pastoral de Comunicação paroquial, e todos os agentes de comunicação estarão envolvidos na atividade. Para se inscrever, o interessado deve enviar um e-mail para pascom@pnsluz.com.br  Informando nome, grupo, paróquia e oficina que deseja participar. As vagas das oficinas são limitadas.


Programação


13:30 - Acolhida aos participantes

14:00 - Palestra de Fernanda Santana, jornalista da Pascom Arquidiocesana. Tema: Carta do Papa Bento XVI, “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”.

15:00 - Intervalo

15:20 - Oficinas de Comunicação

- Fotografia

- Produção de textos

- Redes Sociais

- Novas regras ortográficas

17:30 - Encerramento

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial das Comunicações

Um dia para celebrar o dom da comunicação. Para isso a Igreja instituiu em 1965, com o decreto conciliar Inter Mirifica, o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Neste ano, o tema proposto para a reflexão é Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital. Todos os anos o papa escreve uma carta para os comunicadores abordando a temática escolhida. Na Arquidiocese de Salvador, uma programação especial foi preparada para este dia. O ponto alto das celebrações será a Missa pelos Comunicadores na Igreja Ascensão do Senhor - CAB, às 9h. Participe conosco!
E na sua paróquia, comunidade? O que vocês estão programando? Contem pra gente! Gostariamos de publicar a programação e também a cobertura fotográfica de vocês! Enviem a programação e depois as fotos para o e-mail: pascomsalvador@yahoo.com.br. Então, aguardo vocês!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Carta de Dom Murilo aos Comunicadores

Prezado Comunicador,

            Há quase cinco décadas, a Igreja, no dia Mundial das Comunicações Sociais, envia aos comunicadores uma mensagem. Procura atingir, assim, os homens e as mulheres que trabalham na imprensa escrita, no rádio, no cinema, na televisão, na internet etc. Cada ano, a mensagem enfoca um tema especial. A deste ano reflete sobre a internet, “fenômeno característico do nosso tempo”, segundo as palavras do Papa Bento XVI. Como você receberá essa mensagem, não a comentarei. Prefiro fazer-lhes duas observações:
1ª) O fenômeno das comunicações sociais obriga a Igreja a repensar sua presença no mundo. Ela existe para evangelizar – isto é, para transmitir a todos, de geração em geração, a mensagem que recebeu de seu Senhor e Mestre. Com essa preocupação e missão, procurou utilizar-se, ao longo dos séculos, dos meios que estavam a seu alcance: a pregação em lugares públicos, o púlpito, o teatro, o livro etc. Hoje, coerentemente, ela necessita usar os poderosos meios de comunicação que a humanidade têm à sua disposição, graças ao dom de inventar que lhe foi dado pelo Criador.
            2ª) O Papa João Paulo II, escreveu, certa vez, que “o primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações” (cf. RM, 37c). Na cidade de Atenas, areópago era o espaço público onde sábios, oradores e poetas expunham suas idéias e propostas. O apóstolo Paulo julgou que aquele seria um lugar ideal para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado. A receptividade que teve, contudo, não foi das melhores – ao contrário, teve diante de si um público desinteressado e irônico. Em nossos tempos, a Igreja chama de areópagos aqueles ambientes em que o Evangelho está ausente ou em que é difícil anunciá-lo. E que ambiente se enquadra tanto nessas características como o mundo das comunicações? Se a Igreja conseguir usá-los, e o fizer adequadamente, terá neles um apoio precioso para difundir o Evangelho e os valores religiosos, para promover o diálogo, a cooperação ecumênica e inter-religiosa, assim como para difundir os princípios sólidos que são indispensáveis para se construir uma sociedade respeitadora da dignidade da pessoa humana e atenta ao bem comum (cf. João Paulo II, RD, 7).
            A você, pois, que atua neste importante campo, um pedido: utilize seus dons e o espaço que você tem à disposição para se unir aos que acreditam que é possível sonhar com um novo mundo – mundo que se concretizará se cada qual semear ao seu redor sementes de verdade.
            Obrigado, desde já, por sua colaboração. Jesus Cristo, comunicador por excelência, o/a abençoe!
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pascom qualifica agentes de comunicação

Sábado, 09 de abril é dia de formação para novos agentes de comunicação na Arquidiocese de Salvador. O encontro de qualificação será das 8 às 17 horas, no auditório do Centro Arquidiocesano de Pastoral (Av. Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia).  A atividade faz parte do processo continuado de preparação dos agentes e o objetivo é animar a implantação de novos grupos de Pastoral de Comunicação (Pascom) nas paróquias da Arquidiocese. As fichas de inscrição para o encontro foram enviadas para as paróquias e dois representantes indicados pelo pároco devem ser enviados. Outras informações pelo e-mail pascomsalvador@yahoo.com.br ou telefone (71) 4009-6688.
A dinâmica do encontro é a troca de experiências. Grupos já consolidados de Pascom farão apresentações das suas vivências e os participantes também participarão de palestras com os formadores da Pascom Arquidiocesana. Na programação estão temas sobre o que é Pascom e planejamento pastoral, que serão refletidos entre momentos de oração e partilha.
Atualmente, há cerca de 25 grupos de Pascom consolidados na Arquidiocese. São vivências diferentes que usam ferramentas simples e baratas como os murais e os blogs até aparatos mais complexos como a produção de jornais. Mas antes de tudo são pessoas preocupadas com a espiritualidade da comunicação. “A comunicação é um processo relacional. É um encontro com o outro e para que este encontro seja eficaz é necessário o cultivo da espiritualidade. Nós somos a pastoral das relações, que também passa pelos meios de comunicação, e por isso estamos acessíveis a todas as realidades”, explica Patrícia Luz, responsável pela formação dos agentes de Pascom na Arquidiocese.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Adeus ao padre José Comblin



Neste domingo, dia 27, nos despedimos do padre José Comblin, homem que ajudou a Igreja a pensar e ser diferente. Ele dedicou praticamente toda sua vida ao povo e à Igreja da América Latina, no Brasil, no Chile e no Equador e em centenas de assessorias por todos os países. Ele veio para o Brasil em 1958, junto com o Pe. Michel Schooyans e o Pe. Laga, todos doutores por Lovaina, mas que foram dar aulas no seminário menor, para onde os mandou o Bispo Paulo de Tarso. Em abril de 2010, o padre Comblin esteve em Salvador e bateu um papo com a equipe do Jornal São Salvador. Relembre conosco esse momento!

DIÁLOGO – Padre José Comblin
O padre pastoralista José Comblin concedeu entrevista ao São Salvador sobre as reflexões da Conferência de Aparecida, que, após três anos de sua realização, ainda ecoa na vida da Igreja. O religioso, que foi assessor de Dom Hélder Câmara, é autor de vários livros e participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Nesta conversa ele falou também sobre a própria vivência de fé na Igreja. Confira!


Jornal São Salvador - Na sua opinião, qual foi o papel histórico da Conferência de Aparecida?
Padre José Comblin - O papel histórico está na afirmação de que a Igreja Latina Americana tem que passar de uma pastoral de conservação para uma Igreja de missão. Isso constitui uma mudança porque pastoral de missão em nível de Igreja já faz 16 séculos que não acontece. É uma grande novidade. É claro que, na consciência da Igreja, faz anos que isso está presente. Mas, em nível de hierarquia, em nível de uma conferência tão numerosa como é a Latino-Americana, é novidade.

JSS - Neste ano dedicado ao sacerdócio, estamos falando muito sobre missão. O senhor acha que a formação recebida pelos padres atende às exigências da missão?
Padre José Comblin - Não conheço todos os seminários, mas acredito que o programa formativo continua o mesmo. Assimilar aquilo que está em Aparecida vai demorar uma ou duas gerações. Porque a transformação pedida é tão grande e forte que isso está começando a ser pensado. Acho difícil que os mesmos professores e formadores que prepararam os sacerdotes para a conservação sejam os mesmos que formarão sacerdotes para a missão. Será o objeto da geração seguinte, daqui a vinte anos. Uma mudança profunda, adaptada ao que está escrito no Documento de Aparecida, acho que isso é humanamente impossível acontecer nesta geração. Pelo menos é possível lançar a ideia, divulgá-la, acostumar as mentalidades a reconhecê-la. Porque modifica de tal modo toda a concepção do ministério sacerdotal que de certo modo tudo deve mudar. Pelo visto, o que provocou a escolha do tema da Conferência de Aparecida é a constatação da fuga de tantos católicos. Isso é um fenômeno muito sensível no Brasil e no mundo. Daí então que uma pastoral de conservação terá como resultado a saída de mais e mais católicos, a cada ano. Trata-se primeiro de frear essa fuga e depois tomar iniciativas, ter uma presença muito mais forte na sociedade contemporânea.

JSS - Como o senhor traduziria esse espírito missionário proposto pela Conferência de Aparecida dentro deste contexto pós-moderno?
Padre José Comblin - O terreno da missão são todos aqueles que não frequentam a paróquia e que se dizem católicos oficialmente. Vamos ver no censo quantos ainda se declaram católicos, mas que, para muitos, isso não inclui o conhecimento verdadeiro do Evangelho, não inclui uma prática religiosa. É o resto de um ambiente social que vem do passado. Esse mundo é o terreno que faz prosperar as igrejas evangélicas. No mundo suburbano são essas igrejas que chegam primeiro. É muito simples, porque o nível de formação intelectual das grandes massas não é muito elevado. De tal modo que não se podem fazer discursos muito complicados, nem vir com uma liturgia complicada. Primeiro, os pastores pertencem a esse mundo popular e eles têm um jeito muito simples de falar. De fato, nesse mundo das grandes periferias, das grandes favelas do Rio e de São Paulo, a presença da Igreja é muito fraca. Isso produz a fuga de muitos que se declaravam católicos. Essas pessoas, ou aderiram a uma comunidade evangélica, ou ficaram desligadas de qualquer instituição. Os que se declaram católicos vão diminuindo. Isso foi, eu acho, o que motivou a reflexão de Aparecida.

JSS- O senhor acha que a Conferência de Aparecida foi uma abertura de caminhos para uma mudança na perspectiva teológica na Igreja? Como o senhor avalia o trabalho teológico na Igreja hoje?
Padre José Comblin - Do trabalho teológico não se falam, quer dizer, é o assunto que evitaram cuidadosamente para não entrarem em dissensões. Ainda está no subconsciente o sentimento de que na América Latina nasceu a Teologia da Libertação, que foi condenada pelo Vaticano. Existem opiniões. Então, numa assembleia episcopal tem de tudo. Tem aqueles que acham que não é uma coisa tão perigosa e têm outros que dizem: ‘sejamos prudentes, não toquemos nas questões teológicas, assunto tão controvertido’. Acho que assim explico por que houve um silêncio sobre essas questões teológicas.

JSS - Durante a sua história, o senhor sempre caminhou com o povo, ouvindo e conhecendo os seus anseios. Estamos num ano eleitoral. Em sua opinião, quais são os desafios sociais, políticos e econômicos para os brasileiros?
Padre José Comblin - Apesar dos progressos do governo Lula, há milhões e milhões de miseráveis que sobrevivem com muita dificuldade. Muitos não comem todos os dias, outros comem uma vez por dia. São muitos doentes que não são atendidos e nem sabem a quem recorrer. Isso é inaceitável num país relativamente rico e civilizado. Não faltam alimentos, não falta dinheiro e nem recursos. Mas, que se mantenha dez por cento da população numa condição de miserabilidade, isso é insuportável, é intolerável. As classes dirigentes não enxergam isso, para eles isso não tem a menor importância. Mas para a Igreja, isso é justamente o que deveria ter a maior importância. É o desafio básico fundamental como conduzir essa situação. E aqueles que são simplesmente pobres, que são também muito mais numerosos, como sobrevivem com salários tão baixos, mesmo comparando com outros que têm o desenvolvimento semelhante. Como não se reconhece o que diz a Doutrina Social da Igreja, que recomenda um salário que cubra as necessidades básicas do trabalhador? Já se calculou que para atender à demanda do trabalhador, é necessário que o salário seja pelo menos de R$ 2.000,00. Sem isso não é possível viver satisfatoriamente. Geralmente, essas pessoas vêm de um passado de miséria, e qualquer aumento traz alegria. Estamos muito longe de uma situação de justiça. As empresas sempre choram e dizem que não podem oferecer melhores salários.

JSS - Como o senhor analisa a presença da Igreja na sua vida?
Padre José Comblin - Eu nasci numa família católica, conheci todas as transformações que houve desde então. Conheci a Igreja tradicional ainda Tridentina, vivi minha infância nessa Igreja. Depois, no decorrer dos estudos, tive a sorte de ter alguns bons professores, que inclusive foram teólogos do Concilio Vaticano II, da Universidade de Lovaina. Isso abriu o horizonte para ver toda a diferença que há entre a tradição eclesiástica e o mundo contemporâneo, a distância e a falta de comunicação que há entre eles. Nesse período se buscava uma aproximação, criar pontes. Sou da geração dos padres operários. O clero nunca tinha ido numa fábrica, não tinha um contato permanente com os operários e com o mundo do trabalho. Também há uma aproximação com o mundo intelectual. É o momento que surgem os teólogos que formaram o Concílio, esses padres tinham sido condenados na juventude. Um dia o padre Congar, eclesiólogo do Concílio, tinha sido condenado e exilado da França e proibido de ensinar, precisou se refugiar na Inglaterra. Então, quando o Cardeal Martine Paris anunciou a sentença, disse: “Não se preocupe demais, padre, daqui a dez anos todos estarão pensando como você”. E, de fato, dez anos depois, era o Concílio Vaticano II, e todas as ideias que tinham sido rejeitadas foram aceitas. O resultado do Concílio não era novidade para mim, já tinha estudado as questões na teologia. Porém, foi a consagração de uma nova geração. Depois houve todo um otimismo logo depois do Concílio, que terminou no ano de 1968.