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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dom Celli e a Era Digital na Igreja Católica


Dom Claudio Maria Celli é presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais 
Foto: TV Canção Nova

A Igreja tem de falar a linguagem do homem moderno, se quer ser entendida. Esta foi uma das mensagens que o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli deixou no último sábado nas Jornadas da Comunicação Social, em Fátima, no seu discurso sobre a “Era Digital e comunicação na Igreja Católica”. “A Igreja deve dialogar com esta cultura digital originada pelas novas tecnologias. Necessitamos fazer este diálogo, porque é o diálogo com o homem de hoje, cuja vida está marcada, transformada por estas tecnologias. Tenho de falar uma linguagem que o homem e a mulher de hoje entendam. Uma coisa é falar com uma criança de 10 anos, outra é falar com um homem de 40 ou com um homem de 60, são momentos distintos da vida, e a minha linguagem deve sintonizar-se com a experiência humana, com as exigências, os desejos, os sofrimentos, as alegrias de cada momento da vida. Esta é uma das grandes tarefas da Igreja”, afirmou.
O presidente Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais disse ainda, que o tema escolhido pelo Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações é “Silêncio e Palavra: caminho de evangelização”. Dom Claudio Maria Celli explicou que Bento XVI e a Igreja se preocupam com o lado “humano” e não apenas tecnológico da nova “cultura digital”. Daí que o Papa quer alertar, desta vez, para a importância do silêncio que o Homem moderno tanto receia, mas que é fundamental para a própria comunicação que hoje tem demasiado “ruído”.
“O Santo Padre quer convidar-nos a compreender que a comunicação deve ter sempre uma dimensão humana. O Papa pede que a comunicação, com ou sem tecnologia, seja uma comunicação profundamente humana e é indiscutível que se exija um silêncio”, afirmou. Dom Claudio Maria Celli acrescenta que “hoje em dia as pessoas têm medo do silêncio porque é um silêncio vazio e não é disto que o Papa quer falar. Quer falar de um coração do homem e mulher que procuram o silêncio para se encontrarem a si mesmos, para se conhecerem a si mesmos, mas, ao mesmo tempo, para ter uma dimensão de abertura face ao outro, para que o outro possa entrar no meu coração e eu o possa conhecer mais profundamente”. (SP)
Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Papa anuncia o tema do próximo Dia Mundial das Comunicações


“Silêncio e Palavra: caminho de evangelização” é o tema escolhido por Bento XVI para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais que se realizará em 20 de maio de 2012, no domingo que antecede Pentecostes. A mensagem do Papa para esse evento tradicionalmente é divulgada em 24 de janeiro, em memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas.
De acordo com uma nota do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, no pensamento de Bento XVI, “o silêncio não é apresentado simplesmente como uma forma de contraposição a uma sociedade caracterizada pelo fluxo constante da comunicação, mas sim como um necessário elemento de integração”. Para o Pontífice, “o silêncio, justamente porque favorece a dimensão do discernimento e do aprofundamento, pode ser visto como um primeiro grau de acolhimento da palavra”.
A nota ainda manifesta a vontade do Papa de sincronizar o tema da Jornada com a celebração do Sínodo dos Bispos. Este que terá como tema “a Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais foi estabelecido pelo Concílio Vaticano II com o Decreto Inter Mirifica de 1963. (ED)

Fonte: Rádio Vaticana

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conhecendo a Profissão



Com o objetivo de divulgar e esclarecer assuntos relacionados às profissões ligadas à área de Comunicação, a exemplo de Publicidade, Jornalismo e Relações Públicas, estudantes do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), conhecidos como Publicitários de Elite, realizam pela segunda vez o evento Conhecendo a Profissão. Pensado em um formato interativo, o encontro acontece entre os dias 19 e 21 de setembro, sempre das 19h às 21h, no Café Primaz + Cultura, localizado no bairro do Garcia.
Segundo o coordenador-geral do evento, Luís Carlos Teles, a iniciativa visa possibilitar a participação de pessoas interessadas em discutir os novos desafios e impactos causados pelas mídias sociais. “Alguns estudantes ficam um pouco perdidos na profissão. A ideia é justamente possibilitar a interação entre estudantes e profissionais, na tentativa de esclarecer pontos importantes para quem está começando”, afirma.
Além do Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, participam do Conhecendo a Profissão o PhD em Comunicação e Cultura Contemporâneas Thiago Falcão, o jornalista, radialista, apresentador e editor-chefe do BA TV Jefferson Beltrão, o radialista Naldão Animal e a cantora e compositora Ana Mametto. Palestras, workshops e cursos voltados para o mundo digital integram a programação do evento.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Qual o primeiro passo para iniciar a Pascom na minha paróquia?



            Promessa feita, promessa cumprida!
Nossa amiga Ivani quer saber como e por onde começar o trabalho de Pascom. Então sugerimos algumas coisas. Em primeiro lugar é preciso compreender que toda pastoral [= Ação do Pastor] nasce de uma demanda da comunidade. Antes de qualquer coisa é preciso responder à pergunta: por que precisamos da Pastoral da Comunicação?   A resposta não deve ser fruto do que uma pessoa pensa e sim da reflexão feita em comunidade.
            Quando pensamos em começar a Pascom sempre corremos o risco de querer fazer coisas apenas. Geralmente os grupos nascem para fazer o jornal da paróquia, o site ou o programa de rádio. A missão da Pascom ultrapassa a linha do fazer e sua principal meta é integrar pessoas, comunicar ao mundo o que a Igreja verdadeiramente é e faz. De acordo com o Documento da CNBB, nº 75, Igreja e Comunicação Rumo ao Novo Milênio, a Pascom é a “pastoral do ser/estar em comunhão/comunidade. É a pastoral da acolhida, da participação, das inter-relações humanas, da organização solidária e do planejamento democrático do uso dos recursos e instrumentos da comunicação”.
            Outro aspecto que deve ser levado em consideração no início dos trabalhos da Pascom é o grupo. Não existe “euquipe”! A equipe da Pascom deve ser formada por pessoas que se identifiquem com a missão de evangelizar através da comunicação. E para integrar uma equipe de Pascom não é preciso ser um profissional da área de comunicação. Mas é necessário ter disponibilidade, estar inserido na comunidade. O agente de Pascom é alguém que reza e está conectado com o mundo.
            E o que fazer em grupo? A Igreja tem uma coleção de documentos sobre a comunicação, sem contar os muitos livros publicados sobre essa temática. É bom que o grupo conheça o que a Igreja pensa e deseja de nós. Paralelo ao estudo deve estar o planejamento da pastoral. E sobre esse assunto a gente conversa depois!
            Sugestões, dúvidas... Deixe o seu comentário!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma Igreja eletrônica


Cada vez mais pessoas estão conectadas às redes sociais em várias partes do mundo, destaque para o Brasil, que segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nielsen Company, é o país com maior taxa de internautas utilizando algum tipo de rede social.
Diante de seres humanos cada vez mais conectados pelas novas mídias e tecnologias, resolvi construir uma reflexão pensando nas redes sociais e na evangelização, que se faz tão necessária no mundo em que vivemos.
Jesus Cristo gostava de compartilhar seus ensinamentos utilizando parábolas: “o reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie” (Mt 13, 47-50). Ensinamentos que estimulam nossas imaginações.
Penso que passava pela cabeça de quem ouvia sábios ensinamentos, um filme, que ilustravam as parábolas, mexendo com a imaginação de discípulos e curiosos. Os quem ouviam as parábolas narradas por Cristo, pareciam vê no imaginário, vídeos, daquilo que era narrado, semelhante, por exemplo: a quando sonhamos, ou assistimos a um vídeo enviado via e-mail por um amigo.

Cristo há milhares de anos atrás, na sua missão de propagar a boa notícia escolheu na sua imensa e já populosa “rede social”, doze discípulos, a quem chamou de apóstolos (Lc 6,12-19).

Disse Jesus: “por onde andardes anunciai que o Reino dos Céus está próximo” (Mt 10-7), o Reino está próximo, porque está dentro de nós, é nossa a responsabilidade de conexão, e implantação desse Reino.

Diante da missão deixada por Jesus, mesmo diante das dificuldades e perseguições, os apóstolos começaram a evangelizar, e a propagar os ensinamentos do mestre, atraindo novos seguidores onde passavam, para o Reino de Deus, criando uma imensa rede de novos evangelizados.  

Juntos, (em comunhão) e conectados, podemos ampliar ainda mais o anúncio da boa notícia. "E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações”. (Mt 24-14).

Seguindo o exemplo dos discípulos, podemos hoje, agora, com um clique, pescar, adicionar, ir, em busca de seres humanos, para as “redes sociais” do Reino de Deus da justiça e paz. O conectado servo de Deus Beato João Paulo II, disse: “a evolução é compatível com a fé cristã”.

You Tube, Orkut, Facebook, Twitter, MSN, Blogs, Sites, e outras linguagens eletrônicas, são ferramentas importantes (atraentes) que aliadas aos dons individuais de cada cristão, podem contribuir para estimular ações virtuais na construção do Reino dos Céus. Basta que o “CRISTOCONECTIVIDADE” inspire você! Vídeos, correios eletrônicos, postagens, blogs, fermentas que podem ajudar a transformar vidas de seres humanos internautas.

Jesus de Nazaré tem um incalculável número de seguidores, suas “postagens” são lembradas, lidas, seguidas, “curtidas”, até nos confins da terra, poderíamos afirmar seguramente, em uma analogia, que seu “Twitter” tem o maior número de seguidores do mundo.

Mas é preciso seguir, curtir, estar conectado a Jesus de verdade, na (orAÇÃO) em plena comunhão com uma igreja missionária, evangelizadora, profética, e, inevitavelmente, eletrônica. Sinal de Deus na terra, luz e conexão para construir uma sociedade mais humana.

 “O desenvolvimento é o novo nome da paz.” Beato João Paulo II

 *Dado Galvão

*Católico, Documentarista (www.dadogalvao.org), Bacharel em Administração em Marketing, Pós-Graduando em Marketing, Novas Mídias e Redes Sociais, Coordenador do Projeto A Casa Caiu! O Alerta que Vem do Cárcere (www.acasacaiu.org E-mail: dadogalvao@hotmail.com

Jequié (Ba) 08 de junho de 2011.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Carta de Dom Murilo aos Comunicadores

Prezado Comunicador,

            Há quase cinco décadas, a Igreja, no dia Mundial das Comunicações Sociais, envia aos comunicadores uma mensagem. Procura atingir, assim, os homens e as mulheres que trabalham na imprensa escrita, no rádio, no cinema, na televisão, na internet etc. Cada ano, a mensagem enfoca um tema especial. A deste ano reflete sobre a internet, “fenômeno característico do nosso tempo”, segundo as palavras do Papa Bento XVI. Como você receberá essa mensagem, não a comentarei. Prefiro fazer-lhes duas observações:
1ª) O fenômeno das comunicações sociais obriga a Igreja a repensar sua presença no mundo. Ela existe para evangelizar – isto é, para transmitir a todos, de geração em geração, a mensagem que recebeu de seu Senhor e Mestre. Com essa preocupação e missão, procurou utilizar-se, ao longo dos séculos, dos meios que estavam a seu alcance: a pregação em lugares públicos, o púlpito, o teatro, o livro etc. Hoje, coerentemente, ela necessita usar os poderosos meios de comunicação que a humanidade têm à sua disposição, graças ao dom de inventar que lhe foi dado pelo Criador.
            2ª) O Papa João Paulo II, escreveu, certa vez, que “o primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações” (cf. RM, 37c). Na cidade de Atenas, areópago era o espaço público onde sábios, oradores e poetas expunham suas idéias e propostas. O apóstolo Paulo julgou que aquele seria um lugar ideal para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado. A receptividade que teve, contudo, não foi das melhores – ao contrário, teve diante de si um público desinteressado e irônico. Em nossos tempos, a Igreja chama de areópagos aqueles ambientes em que o Evangelho está ausente ou em que é difícil anunciá-lo. E que ambiente se enquadra tanto nessas características como o mundo das comunicações? Se a Igreja conseguir usá-los, e o fizer adequadamente, terá neles um apoio precioso para difundir o Evangelho e os valores religiosos, para promover o diálogo, a cooperação ecumênica e inter-religiosa, assim como para difundir os princípios sólidos que são indispensáveis para se construir uma sociedade respeitadora da dignidade da pessoa humana e atenta ao bem comum (cf. João Paulo II, RD, 7).
            A você, pois, que atua neste importante campo, um pedido: utilize seus dons e o espaço que você tem à disposição para se unir aos que acreditam que é possível sonhar com um novo mundo – mundo que se concretizará se cada qual semear ao seu redor sementes de verdade.
            Obrigado, desde já, por sua colaboração. Jesus Cristo, comunicador por excelência, o/a abençoe!
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil

terça-feira, 1 de março de 2011

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã. Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.
            Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente. O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendida e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.
            Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.
            As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou. A análise deve ser mais profunda: 
“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais. Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.”
            Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”. Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos: 
“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade. E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.”
            Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”. Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação: 
"A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje."
            Bento XVI reiterou que a "relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas", sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos "valores espirituais" uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.
            Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher "tudo aquilo que existia de positivo" na tradição daquele povo, e "animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo". A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir "horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar" – concluiu o Santo Padre.

PLENÁRIA DO PONTIFÍCIO CONSELHO DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Tem início ontem, em Roma, a sessão plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. Durante os trabalhos serão discutidas, em especial, as contribuições oferecidas pelo Papa na sua Mensagem para o 45º Dia Mundial dedicado aos meios de comunicação social, intitulado “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”.

Fonte: Rádio Vaticano

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CNBB faz pronunciamento sobre ética e TV

NOTA DA CNBB SOBRE ÉTICA E PROGRAMAS DE TV

Têm chegado à CNBB diversos pedidos de uma manifestação a respeito do baixo nível moral que se verifica em alguns programas das emissoras de televisão, particularmente naqueles denominados Reality Shows, que têm o lucro como seu principal objetivo.
Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, de 15 a 17 de fevereiro de 2011, compreendendo a gravidade do problema e em atenção a esses pedidos, acolhendo o clamor de pessoas, famílias e organizações, vimos nos manifestar a respeito.
Destacamos primeiramente o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade. Nesse sentido, muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.
Lamentamos, entretanto, que esses serviços, prestados com apurada qualidade técnica e inegável valor cultural e moral, sejam ofuscados por alguns programas, entre os quais os chamadosreality shows, que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira.
Cônscios de nossa missão e responsabilidade evangelizadoras, exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.
Dirigimo-nos, antes de tudo, às emissoras de televisão, sugerindo-lhes uma reflexão mais profunda sobre seu papel e seus limites, na vida social, tendo por parâmetro o sentido da concessão que lhes é dada pelo Estado.
Ao Ministério Público pedimos uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva, identificando os evidentes malefícios que ela traz em desrespeito aos princípios basilares da Constituição Federal (Art. 1º, II e III).
Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.
Por fim, dirigimo-nos também aos anunciantes e agentes publicitários, alertando-os sobre o significado da associação de suas marcas a esse processo de degradação dos valores da sociedade.
Rogamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, luz e proteção a todos os profissionais e empresários da comunicação, para que, usando esses maravilhosos meios, possamos juntos construir uma sociedade mais justa e humana.
Brasília, 17 de fevereiro de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Atualize os seus conhecimentos

A cada ano sempre nos comprometemos em fazer algo novo, buscamos concretizar os sonhos que estão guardados. E você? Ainda se lembra do compromisso que fez na noite do dia 31 de dezembro de 2010? Que tal acrescentar, a este, um outro compromisso: atualizar os seus conhecimentos! Pois é, aos agentes da Pastoral da Comunicação e aos nossos simpatizantes indico dois livros digitais que podem ser baixados gratuitamente.

Ferramentas Digitais para Jornalistas - O livro da jornalista Sandra Crucianelli traz dicas valiosas para a exploração do ciberpaço. Conheça melhor o potencial de ferramentas digitais que você utiliza no seu cotidiano.  Baixe através do link: http://knightcenter.utexas.edu/hdpp.php

Cartilha de Redação Web - Num texto enxuto e com linguagem simples a Cartilha de Redação Web lançada pelo Ministério do Planejamento em 2010 tem o objetivo de contribuir com práticas eficientes no uso dos meios eletrônicos governamentais. Esta cartilha de pretende ser um guia e um norte na tarefa de elaborar informação clara, estruturada e eficaz para o meio digital. Baixe através do link: http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/padroes-brasil-e-gov/cartilha-de-redacao-web


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pesquisa revela o índice de confiança na Igreja

Igreja salta de 7ª para 2ª posição no ranking das instituições mais confiáveis, segundo ICJBrasil, da DIREITO GV

A confiança população nas instituições sofreu uma mudança importante no último trimestre. É o que mostram os dados do ICJBrasil (Indice de Confiança na Justiça), produzido pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (DIREITO GV). A Igreja - que também marcou a disputa à presidência da republica no segundo turno das eleições – passou de 7º lugar no ranking de confiança nas instituições para a 2ª posição. Nesse trimestre 54% dos entrevistados disseram que a Igreja é uma instituição confiável em comparação com o segundo trimestre de 2010, quando 34% dos entrevistados deram essa resposta. Em contraposição, a confiança nos Partidos Políticos caiu de 21% para 8% no período, mantendo-se em última posição no ranking de confiança nas instituições.

As Forças Armadas continuam sendo a instituição que conquista a maior confiança da população, 66% de respostas afirmativas. Na sondagem anterior - referente ao segundo trimestre - a Marinha, o Exército e a Aeronáutica obtiveram 63%.

O resultado não é confortável para os órgãos da Justiça. Com apenas 33% dos entrevistados dizendo que o Judiciário é uma instituição confiável, a instituição empata com a Polícia e ganha apenas do Congresso Nacional (20%) e dos Partidos Políticos (8%). As outras instituições ficaram com os seguintes resultados no que diz respeito à confiança da população: Grandes Empresas (44%), Governo Federal (41%), Emissoras de TV (44%) e Imprensa Escrita (41%).

ICJBrasil foi criado pela DIREITO GV para mensurar o grau de confiança no Judiciário e como a população utiliza as instituições da Justiça para a reivindicação de direitos e busca por soluções de controvérsias. O ICJBrasil do terceiro trimestre de 2010 foi de 4,4 pontos, em uma escala de 0 a 10, o mesmo índice obtido no trimestre anterior. O índice é formado pelos subíndices de comportamento e percepção, sendo que o segundo cravou uma nota 6,3 e o primeiro, 3,5 pontos, sempre em uma escala de 0 a 10.

O Distrito Federal foi o Estado que registrou maior confiança no Judiciário, com 4,6 pontos, desbancando a liderança do Rio Grande do Sul que, desde o início da sondagem, em julho de 2009, ocupava o posto. No período, o estado gaúcho recebeu um índice de confiança de 4,5 pontos. São Paulo e Rio de Janeiro apresentaram o mesmo índice de confiança, 4,4 pontos, e os Estados da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco são os que menos confiam no Judiciário: cada um teve 4,3 pontos no índice de confiança.

Fonte: Direito GV

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Habilitação para rádios comunitárias


O Ministério das Comunicações publicou no Diário Oficial da União, aviso de habilitação para que 77 localidades, distribuídas em 18 estados brasileiros, possam receber novas rádios comunitárias. O prazo para que as associações interessadas em prestar o serviço realizem suas inscrições e apresentem toda a documentação exigida é de 45 dias contados a partir de sexta-feira 12 de novembro.  Podem se habilitar as associações e as fundações comunitárias, legalmente constituídas, que possuam sede na região onde pretendem prestar o serviço. Os formulários necessários para o cadastro estão disponíveis no site www.mc.gov.br, no item “Rádio Comunitária”. Além disso, é necessário efetuar o pagamento de uma taxa de cadastramento no valor de R$ 20,00.
Para outras informações sobre outorgas de Rádio Comunitária, entre em contato com a Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica, deste Ministério, pelo seguinte endereço eletrônico:ssce.atendimento@mc.gov.br ou nos telefones (61) 3311-6294 e (61) 3311-6592.

Fonte: Ministério das Comunicações

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Encontro Arquidiocesano de Comunicação

Paróquia: Comunidade Comunicadora é o tema da nona edição do Encontro Arquidiocesano de Comunicação. O evento promovido pela Pastoral da Comunicação acontece no dia 28 de novembro, na UCSAL, campus da Federação, das 8 às 17 horas. O encontro tem como objetivo reunir padres, religiosos e leigos para uma reflexão sobre a necessidade de uma potencialização dos processos de comunicação que ocorrem nas paróquias para que elas se tornem uma rede de comunidades. “Esperamos que, a partir desse encontro, todos adotem o espírito de semear o Evangelho através da comunicação, que é um processo acima de tudo desenvolvido por pessoas”, comenta o coordenador da Pastoral Arquidiocesana de Comunicação, padre Manoel Filho.
Este ano, a temática escolhida será abordada numa palestra com o padre Geraldo Martins, assessor de imprensa da CNBB. Na programação, além da palestra haverá a celebração Eucarística, oficinas e momentos de animação com Irmã Carol. Cada participante pode escolher uma das 13 oficinas oferecidas. As inscrição custa R$ 5,00 (cinco reais) e os interessados podem se inscrever até o dia 24 de novembro na sede da Pascom, no Centro Pastoral (Doroteias, Garcia). As inscrições também podem ser feitas na loja de artigos religiosos Andar Com Fé, em frente à Ricardo Eletro 1º Piso no Salvador Shoppping, nas lojas Paulus, Paulinas, Vozes e Ave Maria.Outras informações pelo telefone 4009-6688. Confira a programação completa e a lista das oficinas!

PROGRAMAÇÃO
8h - Celebração Eucarística
09h30 - Palestra principal
10h30 - Cafezinho
10h45 - Continuação da palestra e plenária
12h - Almoço
14 às 17h - Oficinas

OFICINAS
Dicção
Acolhimento e relações humanas
Texto jornalístico para boletins comunitários
Fotografia para veículos de comunicação alternativos
Comunicação na Catequese
Como falar em público
Produção de vídeo em máquina fotográfica
Produção de programas para rádios comunitárias e serviços de alto-falantes
Evangelização e música
Manuseio de equipamento de som
Murais e cartazes
Expressão corporal
Comunicação na Liturgia

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Novas Linguagens

“Cultura da comunicação e novas linguagens”. Este é o tema da Assembleia Plenária que o Pontifício Conselho para a Cultura que será realizado nos dias 10 e 13 de novembro. O evento pretende contribuir para a definição do vocabulário mais indicado para a Igreja se comunicar com o mundo exterior.
Em entrevista à Rádio Vaticano, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, dom Gianfranco Ravasi, lamentou que, muitas vezes, a comunicação da Igreja seja feita “para dentro”, e deu como exemplo a “linguagem teológica tão sofisticada que não encontra referências na população católica, que tem no seu interior as linguagens da televisão, da internet ou do dia a dia”.
“Se não se encontrar o vocabulário, a gramática ou até mesmo o estilo com o qual nos relacionamos com o outro, então é impossível passar aos conteúdos”, sublinha dom Ravasi.
Segundo o presidente, o objetivo da assembléia é “estudar a comunicação a um nível superior, teórico, estrutural”, para depois se poder passar “aos conteúdos do próprio diálogo, uma vez encontrada a sintonia nas linguagens”.
O Pontifício Conselho vai fazer a inauguração da Assembleia Plenária, de forma inédita, a partir do Capitólio, na Câmara Municipal de Roma.

Fonte: Site da CNBB

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital

       O Pontifício Conselho para as Comunicações divulgou hoje, 29, o tema do Dia Mundial das Comunicações de 2011. A escolha do tema: Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital foi feita pelo Papa Bento XVI, que no dia 24 de janeiro de 2011 publicará a sua mensagem aos comunicadores de todo o mundo.
      De acordo com o comunicado publicado pelo Pontifício Conselho para as comunicações, "é preciso colocar a pessoa humana no centro das discussões acerca dos avanços tecnológicos e científicos". Além disso, a temática escolhida é um apelo para que os comunicadores, especialmente os jornalistas católicos, façam de sua vida um testemunho do Evangelho, a favor da verdade e da vida.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

CNBB vai publicar documento de estudo sobre Igreja e Comunicação

A série Estudos da CNBB vai ganhar mais um documento. O Conselho Permanente da CNBB aprovou na quarta-feira, 23, a publicação, nesta coleção (também conhecida como Coleção Verde), de um texto sobre Igreja e comunicação, elaborado pelo Setor de Comunicação Social, da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação, Cultura e Comunicação Social da CNBB.
O texto foi apresentado ontem aos bispos pela equipe de redação, coordenada pelo presidente da Comissão, dom Orani João Tempesta, e servirá de base para a elaboração de um diretório de comunicação para a Igreja no Brasil. O assunto poderá entrar na pauta da assembleia da CNBB em 2011.
“Dar à Igreja no Brasil um diretório de comunicação é um sonho acalentado por muitos que me antecederam na Comissão”, disse dom Orani. “Este texto é um trabalho que tem a participação de muitas pessoas e deve ser uma referência no campo das comunicações sociais”, acrescentou.
Segundo o arcebispo, o documento olha para o futuro “procurando ver, não apenas os meios de comunicação, mas todo o processo de comunicação, lançando novos olhares em relação à comunicação”.
O conteúdo do documento foi apresentado pelos membros da equipe de redação, professor da PUC-Minas, jornalista Mozhair Salomão Bruck; pela professora da Faculdade de Comunicação da Paulus, Irmã Joana Puntel Pimentel; pelo professor da USP, Ismar de Oliveira Soares, e pelo diretor geral da Paulus, padre Manoel Quinta.
A publicação de documentos de estudo é prevista no Art. 139 do regimento da CNBB, quando o texto não está “suficientemente maduro para ser documento oficial da CNBB”. Sua publicação destina-se ao conhecimento das comunidades que têm a oportunidade de estudá-la e opinar sobre seu conteúdo. O texto pode, oportunamente, ser apresentado à assembleia da CNBB à qual é reservada sua última versão e aprovação, tornando-se, então, documento oficial da Conferência e sendo publicado na coleção Documentos da CNBB, também conhecida como Coleção Azul.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Igreja e Comunicação


INFORMAÇÃO ECLESIAL SEJA SEMPRE MAIS TRANSPARENTE


O porta-voz vaticano, Pe. Federico Lombardi, recebendo os participantes do VII Seminário profissional dos porta-vozes da Igreja, apresentou um amplo panorama sobre as funções e os objetivos da Sala de Imprensa da Santa Sé. O Seminário, intitulado "Comunicação da Igreja: identidade e diálogo", concluído na tarde desta quarta-feira, realizou-se na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma.

Uma porta aberta entre o Vaticano e o mundo das comunicações sociais: assim o Pe. Lombardi definiu a Sala de Imprensa da Santa Sé, recordando o seu estar a serviço dos jornalistas a fim de que compreendam o magistério petrino.

O porta-voz vaticano ressaltou tratar-se de uma comunicação que se faz em duas direções:

"Cremos atuar em dois sentidos: comunicamos textos, informações, documentos da Santa Sé ao mundo das comunicações, mas recebemos também perguntas, buscamos entender problemas e interrogações para propor aos nossos superiores na Santa Sé questões a serem enfrentadas, respostas a serem dadas às perguntas."

O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé deteve-se, em seguida, sobre a importância de uma relação serena, objetiva, tranqüila com os jornalistas, evitando generalizações:

"Jamais posso dizer que a mídia seja má. Creio que seria um grave erro. Sei que a mídia reflete muitas posições e diferentes atitudes e também muitas capacidades profissionais que entram em diálogo comigo, que a meu ver interpretam as expectativas de um público amplo."

Em seguida, reiterando o valor de uma fonte confiável, Pe. Lombardi recordou a necessidade de uma maior transparência na comunicação da Igreja:

"Dar sempre mais a informação que nós podemos e sabemos dar, de modo tal que se reduza a impressão que muitos têm de que nós temos uma cultura do segredo ou das coisas a serem escondidas."

Sobre a questão dos abusos cometidos contra menores por parte de membros do clero, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé disse:

"Creio que seja um tema que não se deve absolutamente eliminar ou esquecer, aliás, creio que seja nossa tarefa conseguir fazer com que se desenvolva a comunicação na Igreja e na sociedade em nosso meio numa direção mais positiva."

Por fim, Pe. Lombardi recordou as atividades mais relevantes da agenda pontifícia nos próximos meses, entre as quais a viagem de Bento XVI à Inglaterra, prevista para setembro, durante a qual teremos a Beatificação do Cardeal John Henry Newman:

"É muito interessante. Isso significa evidentemente que o Santo Padre tem um particular interesse pela figura do Cardeal Newman, mesmo porque é o evento fundamental durante essa viagem, que evidentemente desejava fazer e considerava oportuno fazê-la." (RL)

Fonte: Noticiário da Rádio Vaticano (28/04/2010)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Manifestações em defesa do Papa Bento XVI


Após cada campanha de ataques contra ela, a Igreja sempre aparece mais forte e esplendorosa do que antes
Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP


A saraivada de notícias que, nas últimas semanas, tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos, atinge um clímax inacreditável.
Decididos a não deixar morrer a fogueira que acenderam, vários órgãos de comunicação social têm se dedicado a investigar o passado, à procura de novas alegações que envolvam o Vigário de Cristo na Terra, o Papa Bento XVI, no que, aliás, têm falhado rotundamente.
Que haja padres despreparados e indignos, ninguém o pode negar; que abusos horríveis foram cometidos, e certamente até em número superior ao registrado, é preciso reconhecer. Mas utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma injustiça. E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é diabólico.
Aliás, quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de implantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha a propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza e dar o exemplo.
A atual campanha publicitária contra a Igreja faz-nos esquecer uma verdade da qual a história nos dá um inequívoco testemunho: foi a Igreja Católica que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.



Muito mais que pedofilia

As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca... A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de S.Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.
As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.
O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.
Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!
Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?
As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse S.Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!
A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.
E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.
Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo
Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 11. 04.2010


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crise expõe paradoxo do papado de Bento 16


Para vaticanista americano que biografou o papa quando ele ainda era o cardeal Ratzinger, Santa Sé é inepta ao tratar de escândalos. O papado de Bento 16, que completa hoje cinco anos, é um grande paradoxo. De um lado, a mensagem de amor divino, compaixão e humildade que ele tenta transmitir aos fiéis e a um público mais amplo. De outro, a inépcia do Vaticano, que em idas, vindas e declarações dúbias impede essa mensagem de ser ouvida.
Não há exemplo melhor desse paradoxo do que o atual escândalo de pedofilia na Igreja Católica e o modo como ele engolfou o atual pontificado, avalia o vaticanista John Allen Jr.
Uma das vozes mais ponderadas no turbilhão de críticas e contra-ataques, o jornalista americano que biografou Bento 16 quando ele era o cardeal Joseph Ratzinger vê desse embate um saldo que julga “estapafúrdio”: o homem que mais combateu os abusos por sacerdotes é agora o rosto da inoperância da igreja ante os crimes.
“Bento 16 pensa em séculos, e isso lhe dá liberdade, pois ele não se preocupa com as manchetes de hoje”, diz.
Em tempos de imediatismo, porém, o erro tático do Vaticano pode ter efeito perpétuo. Prevaleceriam então não os preceitos filosóficos que o “papa professor” quer legar ao mundo, mas os escândalos e as gafes.
Allen conversou com a Folha por telefone de Roma na sexta-feira, antes de seguir para Malta, onde acompanhou a visita papal do fim de semana.

FOLHA – Quando Bento 16 se tornou papa, suas declarações apontavam para uma abordagem mais retilínea do catolicismo, focada nos “verdadeiros fieis”. Essa ideia funcionou?
JOHN ALLEN JR. – Não sei se concordo que fosse esse exatamente o projeto, mas, se a pergunta é se ele conseguiu alcançar os católicos mais fiéis, acho que sim. Até aí qualquer papa pode fazê-lo. A dúvida é se ele conseguiu alcançar alguma outra pessoa, e eu diria que o grande paradoxo deste pontificado é que ele tem uma mensagem muito atraente para o mundo lá fora, mas que infelizmente ninguém está ouvindo. Afinal, para o mundo lá fora este é um papado definido por seus desastres, que pula de crise em crise. A dos abusos sexuais é só o exemplo mais recente.
FOLHA – O problema de comunicação deste papado não aliena os fiéis e os demais?
ALLEN – Depende de como você define os fiéis. Claramente, há fiéis que veem essas críticas como uma campanha difamatória, então é capaz que tudo isso os esteja tornando até mais fiéis ao papa. Para a maioria do mundo, no entanto, este papado é visto apenas como uma fileira de escândalos e desastres de relações públicas. O que chama atenção neste pontificado é o contraste entre a percepção de dentro e a de fora.
FOLHA – E o sr. discorda da percepção dos escândalos.
ALLEN – Discordo, acho que há uma história bastante positiva para contar sobre Bento 16. Só que o Vaticano é totalmente incapaz de contá-la.
FOLHA – E o que, nestes cinco anos, não esteve na mídia?
ALLEN – Este é um papa professor. A coisa com o que Bento 16 mais se preocupa, que lhe é mais cara e pela qual ele se define são seus ensinamentos. Suas três encíclicas, os discursos que ele faz em suas viagens, os ensinamentos católicos que ele transmite em suas audiências às quartas-feiras. Se você ler o que ele produz, vai perceber como é inteligente e bem articulado, profundo, independentemente de concordar ou não. Mas pouco desses ensinamentos chega ao público. O emaranhado de crises dominou a percepção pública.
FOLHA – Isso não tem um pouco a ver com a personalidade do papa e o fato de ele não ser midiático como João Paulo 2º? É algo que venha mesmo do Vaticano como um todo ou há culpa parcial da imprensa?
ALLEN – É uma combinação de tudo. A imprensa, com algumas exceções, tem sido descuidada e parcial na cobertura, e Bento 16 não é o astro pop que João Paulo 2º era. E também é verdade que as pessoas ao redor do papa, no Vaticano, têm mais atrapalhado do que ajudado. Combinação fatídica.
FOLHA – Como o sr. vê a atuação do Vaticano na crise? Na carta do papa aos católicos irlandeses, ele condena os sacerdotes pedófilos e os bispos que os acobertaram e se desculpa. Mas vem o cardeal Tarcisio Bertone e relaciona pedofilia à homossexualidade, e você vê bispos e cardeais dizendo que tudo que está acontecendo é uma mera campanha difamatória. Um pouco confuso, não?
ALLEN – Quando me perguntam sobre a estratégia de comunicação do Vaticano, digo que, assim que eu vir algum sinal de sua existência, eu comentarei.
A tática deles para lidar com a crise piorou tudo significativamente. [Veja] os comentários públicos que têm sido feitos por outras autoridades eclesiásticas que parecem ter a tendência de meter os pés pelas mãos.
FOLHA – E o papa? Qual o papel dele em relação à crise em si, às acusações de que teria ajudado a abafar alguns dos casos, e que tal sua reação agora?
ALLEN – Recentemente ele não tem falado muito, e isso é parte do problema: deixar que outros falem por ele. Mas, historicamente, para alguém que cobre esse assunto há 15 anos, a ideia de que Bento 16 vire o símbolo do problema é surrealista, estapafúrdia.
Aqui todo mundo sabe que, há uma década, quando ninguém em Roma queria levar esse problema a sério, foi Ratzinger [à frente da Congregação para a Doutrina da Fé] que o fez e que muitas vezes insistiu sozinho em reformas que permitiriam à igreja impedir que padres abusadores trabalhassem no ministério. Sabe o Rudolph Giuliani?
FOLHA – Sim, o prefeito nova-iorquino que reduziu a violência urbana nos anos 90 com um plano de tolerância zero e depois protagonizou escândalos.
ALLEN – Pois é. Falar do Ratzinger como símbolo do problema do abuso sexual é o mesmo que acusar o Giuliani de ser mole com a criminalidade. É absurdo. É a completa inépcia do Vaticano em relação à comunicação. Pois este papa é a melhor história que eles têm para contar sobre o combate aos abusos sexuais, e deixaram que ele passasse a ser definido como símbolo do problema.
FOLHA – Há cerca de duas décadas vemos eclodir escândalos sobre pedofilia na igreja, e não me lembro de João Paulo 2º ser atingido. Por que com Ratzinger é diferente, se ele é a melhor história sobre o caso?
ALLEN – Eu queria conseguir explicar porque eles deixaram a peteca cair. Se dependesse de mim, na última década eles teriam promovido entrevistas coletivas a cada seis meses só para falar de quantos casos foram levados ao Vaticano e o que foi feito a respeito, o que aconteceu com as reformas que Ratzinger iniciou… Por que eles não fizeram isso é um mistério. De qualquer forma há dois fatos: um, mesmo que você ache a resposta da igreja ruim ou insuficiente, e Deus sabe que há muita crítica legítima, seria muito pior se não fosse Bento 16; dois, o Vaticano falhou ao contar essa história.
FOLHA – A Igreja Católica é hoje mais vulnerável do que era 10 ou 20 anos atrás?
ALLEN – É. Com João Paulo 2º eles tinham uma grande história para a mídia nas mãos. E o próprio João Paulo 2º tinha uma personalidade tão envolvente que conseguia que a igreja, o Vaticano e seu pontificado tivessem uma cobertura positiva, mesmo havendo críticas.
FOLHA – O sr. citou coisas boas deste pontificado. O que ele conseguiu em cinco anos? ALLEN – Bento 16 se vê -e provavelmente é assim que a história o verá- como o papa professor. Logo, seu maior feito são seus ensinamentos. Agora, se você diz feitos no sentido de reformas internas, mudanças tangíveis na forma como a igreja funciona, muito pouco foi mudado, exatamente por ser um papa professor, não um papa governante. Não é com liturgia que ele se preocupa.
FOLHA – Quando ele foi escolhido, falou-se que em termos ideológicos seria a continuidade do papado de João Paulo 2º. Tem sido, até agora?
ALLEN – Acho que em termos de ideias, sim. A principal diferença é que João Paulo 2º era um papa ativista, queria mudar a história aqui e agora, e algumas vezes conseguiu, como é evidente no caso do colapso do comunismo. Com Bento 16, ao invés de um ativista, você tem um papa intelectual, interessado em contribuir para o debate de seus dias -coisa que ele fez, aliás, mas é muito menos visível, com o imediatismo. Acho que há continuidade nas ideias, mas muita diferença no estilo e, logo, no impacto.
FOLHA – Mas vivemos na era do imediatismo, parece.
ALLEN – Pois esse é o ponto. Porque Bento 16 pensa em termos de séculos, isso lhe dá uma tremenda liberdade, pois ele não se preocupa com as manchetes de hoje, o que é algo positivo, de certa forma. Por outro lado, não vivemos em um mundo dos séculos, vivemos no mundo do hoje. E no mundo de hoje este é um papado em crise.
FOLHA – O sr. argumenta que o papa no futuro será visto pelo legado de ensinamentos. Isso não pode ser ofuscado pelo imediatismo?
ALLEN – Pode ser. Entendo o que Bento 16 acha que está fazendo e aprecio a importância. Mas também vejo a crise de governança neste papado, que quase destruiu sua imagem pública. Eis a ironia: Bento 16 quer que seus ensinamentos se disseminem, mas precisa parar um pouco de ensinar e lidar com a crise de governança.
FOLHA – Essa atitude pode mudar nos próximos anos?
ALLEN – Poder, pode. Se eu vejo algum movimento nessa direção neste momento? Não.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Pastoral Digital

O desejo da Igreja é que saibamos colocá-la a serviço da Palavra

Fiquei em dúvida se chamaria esta nova forma de pastoral da comunicação de digital, de ciberespaço ou cibernética. Atualmente os termos envelhecem rapidamente. O tempo e os desenvolvimentos futuros dirão e escolherão os passos, caminhos e nomes para essa missão da comunicação nesta época.

Acredito que uma nova maneira de fazer pastoral de comunicação está sendo suscitada pela Igreja através da mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Como ocorre o Ano Sacerdotal, o tema tem essa referência, mas, sem dúvida, é dirigido a todos os católicos: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: as novas mídias a serviço da Palavra”. Como sempre acontece no Brasil, esse dia é celebrado no Domingo da Ascensão, este ano no dia 16 de maio de 2010.

Um grande passo foi dado. Havia na cabeça e no comportamento de muitos certo medo das novas mídias ou novas ferramentas de internet, por ser esse um território livre, onde há de tudo. É um medo infundado, pois se assim o fosse não poderíamos estar no ramo dos livros e das revistas porque existem muitos livros e revistas que não são recomendáveis para os cristãos e talvez nem para as pessoas de certa dignidade.

Estávamos presentes nesses meios com certa timidez e até mesmo com certo temor. Sabemos, porém, que os “digitais nativos” já utilizam essas mídias com desenvoltura e naturalidade incríveis e, quando cristãos, sabem utilizar muito bem tudo isso para um trabalho evangelizador. Podemos anunciar que o desejo da Igreja é que saibamos colocar as novas mídias a serviço da Palavra, ou seja, de Cristo, fazendo agora a pastoral digital ou no mundo digital.

A nossa Comissão Episcopal enviará às Dioceses cartazes e textos com os subsídios para bem celebrar esse dia em todas as comunidades e paróquias, aliás, é o único dia criado pelo Concílio Vaticano II. Isso está no documento "Inter Mirifica", um dos dois mais antigos documentos emanados do Concílio. Ele inicia, além da série de importantes documentos para a renovação da Igreja na década de sessenta, também uma orientação para os novos tempos que estavam surgindo naquela época no campo dos meios de comunicação. A Igreja tem como missão evangelizar, ou seja, comunicar a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, que foi enviado pelo Pai para nos comunicar a Sua Vontade. Se o documento conciliar é apenas indicativo, ele abriu, no entanto, os caminhos para as diferentes situações que se seguiriam posteriormente. Cada ano, os Pontífices Romanos anunciam, na festa dos Arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel, o tema anual e publicam o texto no dia da Festa de São Francisco de Sales.

Saudamos carinhosamente os que se dedicam a essa missão e incentivamos para que o façam com ânimo sempre renovado – de levar todos os homens e mulheres a construírem uma sociedade justa e fraterna, além de alimentar a fé do nosso povo através de escritos, filmes, Power points e tantos outros meios. Quando, neste ano, tivermos a graça de criar a “Signis Brasil”, como filial da Signis Mundial, também ali deverá ter um setor para os portais de inspiração católica se filiarem, além das rádios, televisões, revistas, jornais e impressos. Atualmente temos ótimos portais de notícias ligados a grupos católicos que, além de passarem os acontecimentos, formam, através de eventos e textos, as pessoas no caminho cristão. A grande questão é saber escolher a reta doutrina e aqueles que sabem construir a unidade na diversidade.

Isso está entre outras iniciativas louváveis, somente para recordarmos das propostas que são colocadas diante de nossas telas de formação permanente da doutrina cristã, de anúncio da Palavra de Deus e de notícias acerca da vida da Igreja no Brasil e da vida das próprias dioceses, paróquias e comunidades.
Urge uma conversão pastoral de nossos presbíteros, como nos pede o Papa para o Dia Mundial das Comunicações, em colocar, como meta primeira de sua pastoral, a pastoral da comunicação e da acolhida, que hoje não pode prescindir de ser, também, da internet e dos meios correlatos.

Não tenho dúvidas de que a Igreja que peregrina no Brasil está fortemente amparada na vontade deliberada de dar especial apoio a todos os sites e meios eletrônicos que anunciem o Cristo Ressuscitado e que levem o homem e a mulher de nossos dias a buscar a santidade pelo conhecimento e pelo seguimento apaixonado pelo Redentor.

A todos uma bela e comprometedora celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais, e que isso ajude a criar ou incrementar ainda mais a Pastoral da Comunicação em nossas comunidades e abrir-nos para o diálogo com os comunicadores de nossa região.

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro
23/03/2010 - 08h15